7 de maio de 2012

Reforma trabalhista reduz jornada e aumenta aposentadorias na Venezuela

A Venezuela aprovou nas vésperas do Dia do Trabalhador (1º) uma ampla reforma trabalhista que deverá aumentar o valor das pensões e aposentadorias e reduzir a jornada semanal de trabalho no país. Promulgada pelo presidente Hugo Chávez, a nova Lei Orgânica do Trabalho depende agora apenas da chancela do Supremo Tribunal de Justiça para entrar em vigor.

A reforma foi formulada a partir de mais de 19 mil propostas, em sua grande maioria proveniente de sindicatos e outras organizações de trabalhadores. Entre as principais novidades da nova lei, conhecida como LOT, estão a volta da retroatividade da previdência social, que garantirá os benefícios com base no último salário, o pagamento de indenização dobrada em caso de demissões injustificadas, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da terceirização no ambiente de trabalho.

Além disso, a LOT amplia os direitos de pais e mães a partir do nascimento de seus filhos. Caso aprovada, a lei estabelece a proibição nas demissões de mães e pais durante os dois anos posteriores ao nascimento da criança. Além disso, a licença-maternidade é estendida para seis meses e meio. Com a nova legislação, as empresas também têm de reconhecer os direitos dos casais que adotarem crianças.

Em sua última aparição pública antes de voltar à Cuba para seguir seu tratamento contra um câncer, o presidente Hugo Chávez celebrou a aprovação da nova legislação. É “uma lei para a história, uma lei libertadora, uma lei justa. Agora há que se lutar para que se cumpra”, afirmou o presidente, segundo a agência Reuters.

Segundo Nicolas Maduro, ministro das Relações Exteriores da Venezuela, assim que o Supremo aprovar a nova lei, ela será publicada no diário oficial e passará a valer para empresas públicas e privadas.

O chanceler venezuelano comparou os novos direitos adquiridos pelos trabalhadores na Venezuela com o cenário de crise nos países ricos. “Nos Estados Unidos, os trabalhadores não têm segurança social, nem hospitais e escolas públicas e estão tomando suas casas (...) Os trabalhadores, as massas que estão despertando nos EUA e na Europa estão lutando por aquilo que, agora, o povo da Venezuela tem”, disse, de acordo com a Telesur.

Maduro disse ainda que está previsto a criação de um Conselho Superior de Trabalho para que esta nova realidade seja rapidamente introduzida na classe trabalhadora nos próximos três anos.

De acordo com os últimos números oficiais, a Venezuela tem mais de 12,3 milhões de pessoas empregadas. Destas, 58,7% tem emprego formal.

Fonte: Opera Mundi

25 de novembro de 2011

Parque Municipal de BH: histórias e emoções

Moradores e turistas se encantam com o parque municipal

Antônio de Pádua


Imagem: Creative Commons

O Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no coração da cidade, é o mais antigo patrimônio ambiental de Belo Horizonte. Inaugurado em 26 de setembro de 1897, antes mesmo do surgimento da nova capital mineira, o parque foi projetado no final do século XIX, pela comissão construtora encarregada de planejar a cidade.

Mesmo localizado no Hipercentro, região mais adensada da cidade, o local forma hoje um ecossistema representativo, e reúne diversas espécies de árvores exóticas e nativas, além de ser considerado um refúgio para a fauna silvestre, abrigando várias espécies de aves e outros animais, como gambás e micos. Com uma área de 182 mil metros quadrados de extensa vegetação, o parque contribui para amenizar o clima da região central da cidade.

A ampla área verde e o ambiente agradável faz com que várias pessoas passeiem pelo parque, para aliviar o estresse do dia a dia ou, simplesmente, respirar um ar mais puro, em pleno centro da capital. É o caso de Sílvia Andrade, 32 anos. A operadora de call center sempre passa no local antes do expediente: “Adoro este espaço, e até me esqueço do estresse. Não há outro lugar melhor na cidade."

Além dos equipamentos esportivos, o parque oferece para a população várias opções de lazer gratuitas: brinquedos, pista de caminhada, quadra poliesportiva, pista de skate e quadra de tênis. Os frequentadores também podem se divertir com os tradicionais burrinhos, o trenzinho e os fotógrafos "lambe-lambe".

Bento de Pádua, 68 anos, começou a trabalhar com fotografia no local há 32 anos e explica que o parque é fundamental para a vida dele, pois é de onde tira toda sua renda. O fotógrafo diz que a parte mais interessante do trabalho é lidar com a diversidade de pessoas que frequentam o lugar. Ele ainda guarda a lembrança da velha máquina fotográfica: “Sim, já fui lambe-lambe", conta.

Além de ter sua fundação diretamente ligada à história da cidade de Belo Horizonte, o Parque Municipal também contribuiu para escrever a história do futebol mineiro, sendo palco da fundação do Clube Atlético Mineiro, uma das equipes mais tradicionais do Brasil. No dia 25 de março de 1908, um grupo de 22 estudantes trocou as aulas daquela quarta-feira por uma reunião no coreto do parque. A partir daquela reunião, nascia, então, o Athlético Mineiro Football Club, que, em 1913, passou por uma mudança de grafia, a qual resultou no atual nome.

Novo Hospital Mater Dei terá 30 mil atendimentos mês

Hospital Mater Dei (Divulgação)
Antônio de Pádua

Nova Unidade do Hospital Mater Dei está sendo construída no antigo prédio do Mercado da Barroca, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Serão 310 vagas de estacionamento, 15 salas de cirurgia, CTI com 70 leitos e pronto- socorro.

A obra vai permitir, ainda, a ampliação do setor de oncologia do Mater Dei. De acordo com José Salvador, presidente e fundador do hospital, a fundação vai manter os dois prédios, que poderão atender melhor os pacientes e médicos: “Hoje nosso pronto-socorro é bom, um dos melhores da capital, mas é pequeno. Agora teremos dois, o que vai facilitar o atendimento e tratamento de doenças”.

Para dar continuidade ao compromisso de atender, da melhor maneira possível, os clientes e pacientes, o Hospital Mater Dei adquiriu, em dezembro de 2010, um terreno de 7.800 m2, em leilão realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte. No local, será construída uma nova unidade, com aproximadamente 310 leitos, voltada para tratamentos diversos: cirurgias de alta complexidade, doenças oncológicas, crônicas, degenerativas, atendimentos de urgência e emergência, entre outros.

Próximo da sede atual, o novo edifício será na avenida do Contorno, entre as ruas Uberaba, Gonçalves Dias e Alvarenga Peixoto, em Belo Horizonte, onde antes funcionava o mercado distrital do Barroca.

A localização é estratégica e privilegiada, porque há ligação com importantes vias e avenidas, facilitando o acesso, principalmente em casos de urgência. Essa aquisição foi feita para possibilitar a expansão do Hospital, atualmente com dois blocos interligados, totalizando 335 leitos, com índice de ocupação crescente e, em várias situações, superando a quantidade de leitos disponíveis.

Essa realidade tem sido uma tendência no setor de saúde em âmbito nacional, devido ao aquecimento da economia, número de pessoas que possuem planos de saúde e também ao envelhecimento da população e aumento da expectativa de vida.  Além dos benefícios que ampliam a assistência médico-hospitalar, serão criadas novas oportunidades de formação de mão de obra e postos de trabalho, resultando em crescimento social, econômico e promoção da qualidade de vida da população

O projeto já está sendo desenvolvido pela empresa Zanettini - Arquitetura Planejamento Consultoria, sediada em São Paulo, com 50 anos de mercado e mais de 1.200 projetos em diversas áreas. É especializada em construções que incluem desenvolvimento sustentável, arquitetura contemporânea, conservação ambiental, eficiência energética, tecnologia não poluidora, racionalização de consumo e qualidade ambiental interna e externa, que utiliza condições ambientais naturais.

A nova unidade do Mater Dei está construída numa concepção dinâmica, visando oferecer aos clientes conforto por meio de soluções prediais inovadoras, com plano urbanístico local, prevalecendo os conceitos avançados de modernidade e preservação da maioria das árvores já existentes no local, algumas quase centenárias.

A construção já começou e o terreno está na terraplanagem para ganhar o nono centro hospitalar. O espaço do antigo mercado foi negociado por R$ 53 milhões, através de leilão realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte. O médico, fundador e atual presidente do Mater Dei, José Salvador Silva, diz que a nova unidade será mais uma opção de assistência à saúde para a Região Metropolitana de BH, já que a atual sede do hospital é menor: “A nova filial está sendo construída para atender aos anseios dos pacientes, funcionários e convênios. Estamos com uma ocupação muito alta, quase 100%. Nossa preocupação agora é com o bom atendimento humanizado, com conforto e segurança. Foi por isso que decidimos por uma nova unidade do Mater Dei, que vai intensificar ainda mais o atendimento à população”, diz.

Os gastos com a compra do terreno e construção do hospital são altos. Segundo moradores da região, a nova unidade do Mater Dei trará, além de acolhimento hospitalar, mais tranquilidade e movimento ao entorno, uma vez que, após às 18 horas, o ponto era considerado perigoso para quem transitava pelo local.

24 de novembro de 2011

Feira hippie de BH movimentou R$170 milhões em 2010

Evento emprega 11 mil pessoas e gera 0,04% do PIB da capital

Antônio de Pádua


















Domingo é dia de muito trabalho para os expositores da Feira de Arte e Artesanato Afonso Pena ou simplesmente “Feira Hippie." Se para muitos é uma tradição, para a economia de Belo Horizonte é um dos eventos mais rentáveis. De acordo com Carlos Soares, coordenador do site feirahippie.com e representante da Associação dos Feirantes, além de empregar diretamente 11 mil pessoas, a feira movimenta o comércio local. Carlos Soares ainda relatou o quanto a feira arreca: pelo menos 0,04% do Produto Interno Bruto (PIB) da capital anualmente, conforme pesquisa financiada pelo Banco do Brasil, em parceria com o Instituto Isabela Hendrix (2008/2009).

A cada semana, o comércio de matérias primas e os setores de bares, restaurantes e hospedagem da cidade também são aquecidos por causa do evento. A cada domingo, de acordo com Carlos Soares, um dos diretores da feira, pelo menos 80 milpessoas visitam a capital mineira.

Com muita criatividade, técnica e qualidade os artesãos da feira conquistam cada vez mais espaço e encantam turistas e frequentadores. Com peças únicas que vão de comida típica à bolsas, passando por panos de pratos decorados, ao mais diversos produtos artesanais como doces, pães e flores.
A Praça de Alimentação é outra atração. A mistura de comidas típicas cativam moradores que se tornam assíduos. Esse é o caso da aposentada Lurdes Souza, moradora do Luxemburgo, região centro-sul da capital. Ela frequenta o lugar deste 1995. E até fez amizades com alguns feirantes. “Sou apaixonada pela feira, quase todo domingo estou aqui”. Hoje, por exemplo, ainda não comprei nada.Quem sabe uma cervejinha, daqui a pouco’’, relatou a frequentadora .

A administradora Virginia Oliveira e seu marido, o empresário Arthur Oliveira, também são clientes da praça de alimentação. O local se tornou ponto de encontro com os amigos para tomar cerveja, comer biscoitos e jogar conversa fora. "Depois de tomar minha cervejinha, ainda tenho que levar petisco para minha sogra, senão ela briga comigo. Mas ela é adorável", brincou Arthur.

Vale tudo para chamar a tenção dos futuros compradores. Alguns feirantes, para atrair o público masculino, aproveitam da paixão dos homens pelos principais times da capital, como o Atlético e o Cruzeiro, e vendem diversos produtos com estampa das equipes como travesseiro, fronha, além de bordarem os nomes nas camisas que os torcedores trazem na hora tudo feito a mão. "É uma forma de aproveitar a paixão pelo futebol, para ganhar dinheiro. O torcedor não deixa de comprar nem que seja uma bala do time de sua preferência",  comentou o expositor Júlio Cesar Silva Araújo, de 47 anos.

Ele vende, em média, entre R$ 11 mil e R$ 12  mil por mês. E espera lucrar mais com a chegada do fim de ano, apesar da má fase dos times mineiros. Para o feirante, o 13º salário ajuda a vender mais neste período. Na economia informal há anos, ele diz que agora vai se formalizar como pequeno empreendedor. “Espero contratar um ajudante no ano que vem”, afirmou.

A artesã Manoela da Conceição de Souza, de 53anos, trabalha na feira deste o inicio dos anos 1990. Com a venda das flores artesanais – cujos preços variam entre R$7 a R$65 - ela sustenta a casa. "Meu marido me ajuda a fazer as flores. É nossa forma de completar a renda. Com ajuda deste dinheiro, formei um filho na faculdade. Hoje ele é advogado”, relatou, emocionada, a feirante. Para Manoela, a produção das flores é gratificante, principalmente, quando recebe elogios. "Fico muito feliz quando os clientes dizem que são as lindas as peças. E compram para dar de presente. Principalmente os homens, que adoram presentear as esposas e as mães com os arranjos", afirmou.

23 de novembro de 2011

Quando perguntar se torna uma profissão rentável


Pesquisadores e entrevistadores free-lancer se livram da rotina do trabalho e ganham dinheiro com isso
  
Edward Magalhães
  
Quem já passou por pontos muito movimentados de Belo Horizonte, certamente, já viu um pesquisador. Na Praça 7, no Mercado Central, na Praça da Liberdade, em estações do metrô... Lá estão eles, de prancheta e caneta nas mãos, abordando as pessoas que passam com as mais diversas perguntas, sempre muito educados, ouvindo e anotando com atenção as respostas.

A pesquisa, hoje, é uma ferramenta indispensável para o mercado. É por meio dela que empresas tomam decisões estratégicas, decidem a melhor forma de criar e lançar um novo produto. Também é fundamental para partidos políticos na hora de decidir quem é o melhor candidato para cada pleito, os rumos que uma campanha deve tomar e como cada atitude pode influenciar nas eleições.

Essa importância faz com que a demanda por entrevistadores aumente de modo considerável. Há muita procura por mão-de-obra por parte dos institutos de pesquisa e das empresas especializadas em coleta de dados. O ano eleitoral está por vir e vai aquecer ainda mais o mercado para a contratação de pesquisadores. “É a época de ouro para aumentar o número de vagas em pesquisas políticas”, diz a diretora do V1 Inteligência Estratégia, Anice Pennini. “É um mercado que está se abrindo, é um ano em que as coisas vão acontecer”. Sua sócia, Flávia Lage, acrescenta: “A procura pode aumentar em 100%”.

Trabalhar com pesquisa, entretanto, não se resume a fazer perguntas. “Fazer uma pesquisa é muito mais que apenas aplicar um questionário de acordo com as instruções recebidas”, diz Flávia. Segundo Anice, é preciso preparo. “Quando se entrevista uma pessoa, é necessária a colaboração do entrevistado. Envolve postura na abordagem, conquista. Vai do jeito de falar, da paciência em esperar as respostas, de entender as negativas”.

O perfil dos candidatos para o cargo de pesquisador é bastante democrático. De acordo com Anice, é necessário ter boa vontade, compreensão do trabalho que será feito e seguir corretamente as regras. Essa visão é compartilhada por Alexandre Souza, diretor da Real Pesquisas, empresa especializada somente na coleta de dados. “É preciso entender a importância da pesquisa para o mercado e ter uma visão globalizada do processo. Saber se comportar numa favela ou em um bairro nobre. O entrevistador tem que ser um camaleão, saber se adaptar às situações”.

A idade não é problema para quem deseja trabalhar com pesquisa. As empresas contratam desde jovens de 18 anos até senhoras com mais de 40. Postura profissional, entretanto, é fundamental. “A coisa mais importante que pedimos para nossos pesquisadores é responsabilidade. Não podem encarar o trabalho apenas como um bico”, diz o também diretor da Real Pesquisas, Allan Queirós. Alexandre completa: “Buscamos pessoas que tenham uma boa dinâmica de conversa, não meros perguntadores”.

Os pesquisadores são contratados pelos institutos e empresas para contratos específicos, não possuem vínculo empregatício. O pagamento é feito sempre por produção e os cálculos podem ser baseados pelos dias trabalhados ou pelo número de questionários aplicados. Os ganhos são variáveis, podendo chegar até R$ 1500 por mês. A jornada dura entre seis e oito horas, com a possibilidade do entrevistador montar seu horário.

Um dos pontos altos para quem trabalha diariamente com pesquisa é a total ausência de rotina no emprego. Afinal, faz trabalhos completamente distintos, lidando com pessoas e locais diferentes. Essa é a visão de Dário Ribeiro, que desde 1995 atua na área. “O contato com o público, que muda de acordo com o objetivo da entrevista, e a chance de conhecer assuntos sobre os quais não tinha muita noção. Faz com que o trabalho seja muito interessante”. A possibilidade de viajar também é destacada. Sílvia Vianna, entrevistadora há quase 20 anos, diz conhecer boa parte do Brasil graças à pesquisa. “Já fui a mais de 100 cidades”.

Dário já teve a oportunidade de voltar a trabalhar com carteira assinada, como auxiliar administrativo, mas não conseguiu ficar muito tempo longe da pesquisa. “Já tive empregos formais três vezes nesses últimos 15 anos, mas logo voltei a ser entrevistador”. Segundo ele, a pesquisa tem pontos fracos, como o tempo em que fica parado, sem trabalhar. A falta de estabilidade incomoda, principalmente pela questão de segurança, mas as vantagens de ser pesquisador compensam isso. “Quando perguntam qual é a minha profissão, respondo com orgulho que sou pesquisador. É a minha vida”, completa.

Sim, teremos tropeiro!

Prato tradicional da culinária mineira está garantido nos estádios de Belo Horizonte durante a Copa do Mundo de 2014

Osvaldo Reis




Parafraseando o saudoso cantor e compositor Gonzaguinha, “dez entre dez mineiros preferem feijão”. A paixão dos mineiros pelo feijão, mais especificamente pelo feijão tropeiro, não foi esquecida pelos responsáveis pela reformulação do Mineirão, maior palco do futebol em Minas Gerais. Mas por pouco o tropeiro não ganhou cartão vermelho.

A presença da iguaria na Copa do Mundo de 2014 chegou a ser vetada pela Fifa, que credencia apenas restaurantes e lanchonetes internacionais nos eventos que organiza. Mas para a felicidade dos mineiros, o prato típico teve sua presença confirmada nos bares e restaurantes durante a competição, após uma série de reuniões entre a Prefeitura de Belo Horizonte, Governo do Estadode Minas Gerais e representantes da entidade máxima do futebol.
 
 
“O tropeiro já está convocado para a Copa”, afirma o diretor-geral da Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais (Ademg), Ricardo Raso. “Trata-se de uma tradição dos estádios da capital, não apenas do Mineirão, mas também do Independência. Levamos essa informação para os representantes da Fifa, que atenderam nossos pedidos e garantiram que o prato estará disponível para os torcedores não apenas na Copa do Mundo, mas já na Copa das Confederações, em 2013”, completa.

Os dirigentes mineiros tiveram que se empenhar para convencer a Fifa da importância do tropeiro no Mineirão. “Mostramos que o tropeiro já atingiu o nível de atração turística em Belo Horizonte. Muitos torcedores dizem que a ida ao Mineirão só é completa se houver tropeiro no cardápio”, afirma o assessor de comunicação do Comitê de Belo Horizonte para a Copa 2014, Rogério Bertho.

A importância do Mineirão ficou evidenciada no fim do último mês de abril, quando os responsáveis pela reformulação do estádio comemoraram os primeiros 100 dias de obras com um almoço festivo batizado de “Tropeirão do Mineirão”. Na ocasião, operários e autoridades se reuniram em tendas armadas no antigo gramado para saborear o prato típico.

Fechado em 2010 para as reformas visando a Copa do Mundo, o Mineirão teve todas as concessões de bares e restaurantes encerradas. A Ademg ainda não definiu quando será aberto novo processo licitatório, mas garante que a qualidade dos alimentos servidos e do atendimento serão itens obrigatórios para quem quiser disputar um espaço. “Os amantes do tropeiro podem ficar tranquilos, a qualidade no preparo vai aumentar muito”, diz Ricardo Raso. O novo estádio terá 28 bares e restaurantes, dez a menos do que tinha antes da reforma.

Alívio para comerciantes

Arroz, feijão tropeiro, torresmo, carne de porco, couve e ovo. Essa é a composição básica do tropeiro, vendido no Mineirão desde sua inauguração, em 1965. E para a felicidade de quem o comercializa, seguirá como iguaria principal do estádio. “É um alívio saber que o tropeiro não será extinto. Não consigo nem pensar no Mineirão sem ele”, afirma a proprietária do bar Tropeiro do 13, Eliane Assis.

Com a reforma do Mineirão, Eliane segue vendendo o tropeiro no bairro Planalto, Zona Norte de Belo Horizonte. No estádio, ela era a dona do restaurante instalado próximo ao portão 13, que deu o nome ao estabelecimento. “As pessoas vêm aqui para lembrar do Mineirão, mas não é a mesma coisa. Espero que essa reforma termine logo”, desabafa.

Acostumada a vender cerca de 700 pratos em um jogo de grande porte, Eliane está preocupada com o processo de licitação para bares e restaurantes do novo estádio. “Espero que dêem chance para que pequenos comerciantes, como eu, possam ter chance de disputar uma vaga. Tenho medo que o Mineirão fique muito elitizado”.

Hoje recluso na Arena do Jacaré, o comerciante Rogério Assis tem o mesmo medo. “Já tive prejuízo por ter que vir para Sete Lagoas. Nem quero pensar em ficar de fora do Mineirão”, diz. Dono de um dos bares instalados na Arena, Rogério afirma não vender 30% do que vendia no estádio da Pampulha. “Aqui é muito pequeno, são poucos torcedores. Mesmo estando bem instalado, não chego a vender 100 tropeiros por dia”. Na Arena, ele vende o tropeirinho (porção menor, sem ovo) por R$ 7 e o tropeiro tradicional por R$ 10.

Torcedores satisfeitos com a manutenção do tropeiro

Quem mais comemorou a permanência do tropeiro no Mineirão durante a Copa do Mundo foram os torcedores belo-horizontinos, frequentadores costumeiros do estádio. Para o estudante Abner Faustino, “ir ao Mineirão e não comer tropeiro é a mesma coisa que não ir ao estádio. É uma tradição do estádio, da cidade. Se na Alemanha eles servem salsichões nos estádios, no Mineirão tem que ter tropeirão”, diz.
Assistente de apuração em Vespasiano, Leonel Pacheco concorda. “O prato de feijão tropeiro está enraizado na cultura de quem vai ao Mineirão. Ele tem o mesmo significado do acarajé para os baianos ou da moqueca de peixe para os capixabas”, entende. Rogério Bertho, repórter da rádio Itatiaia nos anos 90, se recorda de quando chegava mais cedo ao estádio para saborear o tropeiro. “Eu ia pra jornada mais satisfeito e animado”, diz

A permanência do tropeiro, contudo, não é unânime. Apesar de ser querido pela maioria dos torcedores, há quem tenha ficado triste com a notícia. É o caso da professora universitária Márcia Macedo, de Barbacena. “Eu detesto o tropeiro. Os torcedores não têm educação, fica uma sujeirada nas cadeiras e arquibancadas”, protesta.

Se não é unanimidade, o tropeiro tem atrás de si a preferência da maioria dos torcedores que vão ao Mineirão para se alegrar ou sofrer com seu time do coração. Ele continuará servindo para fazer com que atleticanos, cruzeirenses e americanos saiam do estádio rindo de barriga cheia – de tropeiro - com as vitórias de seus times. Os auto-falantes do estádio vão poder conclamar: “Ademg informa! Copa do Mundo com tropeiro é muito mais gostosa!”

Mineirão será palco da semifinal da Copa do Mundo

A FIFA confirmou em Outubro, os jogos da Copa do Mundo de 2014. Belo Horizonte sediará seis partidas. Quatro serão na fase de grupos, sendo três desses com países cabeças de chave. Também um jogo de oitavas de final onde provavelmente o Brasil estará presente e uma das partidas semifinais está garantida para o Mineirão. A Copa das Confederações que será realizada em 2013 no Brasil, terá quatro jogos no Mineirão, inclusive a grande semifinal.

 
Foto: Creative Commons



Caminhas em vias urbanas é uma boa escolha?

Solange Baker

Os riscos são maiores do que os benefícios. É o que ressalta o Dr. Edilson Corrêa, pneumologista, diretor de Promoção da Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES).
Corrêa afirma que todas as pessoas, tanto saudáveis quanto doentes, deveriam adquirir esse hábito por uma melhor qualidade de vida. Mas se essa prática não ocorrer em locais apropriados, ou seja, em um ambiente arejado, arborizado e tranquilo, os objetivos não serão alcançados satisfatoriamente. “A atividade física poderá ser mais maléfica do que benéfica”, observa.
É o caso da pista de caminhada na Via Expressa, que atende os moradores do bairro Coração Eucarístico, região noroeste da Capital. O “cercadinho”, como é carinhosamente chamado pelos usuários da pista, está instalada em meio a uma imensidão de carros que transitam pela via o dia todo. O pneumologista reprova terminantemente qualquer atividade física nessa área. “Como médico, não recomendaria aos meus pacientes. Não só nos horários considerados mais carregados, mas em nenhum horário”.
A dona de casa Cristina Fernandes, 51 anos, faz caminhada há cerca de quatro anos no “cercadinho”. Ela não tem nenhum problema de saúde, caminha apenas para manter a forma. Para ela a vantagem da pista é o fato de proporcionar uma sequência e um ritmo regular nos movimentos, por ter um percurso regular, além de ficar perto de sua casa. E a desvantagem é a poluição, o barulho e o perigo para atravessar a avenida que dá acesso à pista. "O único espaço nessa região é esse aqui, não tem outro", lamenta.
Outro usuário do “cercadinho”, o aposentado Reino Sérgio da Silva, 76 anos, usa o local por causa da proximidade com sua casa. Ele considera que, por ser uma região movimentada, não corre risco de assalto. “O médico recomendou para controlar o peso, por causa da minha saúde”. Reino mostra preocupação com o risco que corre para atravessar a avenida, devido à sua idade avançada, além do cheiro forte dos gases emitidos pelos veículos.
De acordo com o pneumologista Edilson Corrêa, um dos principais poluentes da atmosfera, o monóxido de carbono, é um dos gases emitidos pelos escapamentos dos automóveis. “A pessoa que está fazendo atividade física demanda mais oxigênio, e se ela está realizando a prática de exercícios em uma região como essa é obvio que o efeito provocado nos pulmões não será saudável, pois ela estará respirando gases tóxicos”.
As doenças mais comuns e frequentes a quem se expõe aos ambientes poluídos são a asma e a bronquite. Os portadores de doenças crônicas respiratórias e aqueles que fazem controle de enfisema pulmonar terão seus quadros agravados, se respirarem com frequência gases poluentes que são eliminados com a combustão da gasolina.
Corrêa lembra que Belo Horizonte, na década de 1920, era considerada a capital com índices de melhor qualidade do ar. “As pessoas vinham para Belo Horizonte para se tratar de doenças respiratórias, como a tuberculose. Agora isso não acontece mais. É louvável a criação das pistas de caminhada, mas é preciso adequá-las a um ambiente saudável", alerta.
O exercício físico comprovadamente diminui os riscos de doenças cardiovasculares, afirma a bióloga Myrian Morato Duarte, analista e pesquisadora de Saúde e Tecnologia da Fundação Ezequiel Dias (FUNED). Ela salienta que o exercício físico age sistematicamente no controle da obesidade, hipertensão, colesterol e fumo.
“Há uma grande distinção entre o esquema de exercícios direcionados para adquirir força e resistência para competições, que tem pouco efeito no condicionamento cardíaco e o necessário para aumentar a resistência cardiovascular, que é o exercício aeróbico executado em uma caminhada ou corrida. O exercício deve ter duração suficiente para causar consumo de oxigênio, e deve ser realizado com determinada regularidade para ter efeito cardiovascular. Neste caso, todos os órgãos envolvidos na obtenção e transporte de oxigênio, pulmões, coração, vasos sanguíneos e músculos, serão afetados e se tornarão mais eficientes com o treinamento”.
Com o objetivo de conhecer os motivos que levaram a escolha da Via Expressa, na região noroeste, para a instalação do “cercadinho”, considerando que é uma via com um fluxo intenso de veículos em praticamente todos os horários, a Secretaria de Obras e Infraestrutura da Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada, mas preferiu não se pronunciar.