24 de novembro de 2011

Feira hippie de BH movimentou R$170 milhões em 2010

Evento emprega 11 mil pessoas e gera 0,04% do PIB da capital

Antônio de Pádua


















Domingo é dia de muito trabalho para os expositores da Feira de Arte e Artesanato Afonso Pena ou simplesmente “Feira Hippie." Se para muitos é uma tradição, para a economia de Belo Horizonte é um dos eventos mais rentáveis. De acordo com Carlos Soares, coordenador do site feirahippie.com e representante da Associação dos Feirantes, além de empregar diretamente 11 mil pessoas, a feira movimenta o comércio local. Carlos Soares ainda relatou o quanto a feira arreca: pelo menos 0,04% do Produto Interno Bruto (PIB) da capital anualmente, conforme pesquisa financiada pelo Banco do Brasil, em parceria com o Instituto Isabela Hendrix (2008/2009).

A cada semana, o comércio de matérias primas e os setores de bares, restaurantes e hospedagem da cidade também são aquecidos por causa do evento. A cada domingo, de acordo com Carlos Soares, um dos diretores da feira, pelo menos 80 milpessoas visitam a capital mineira.

Com muita criatividade, técnica e qualidade os artesãos da feira conquistam cada vez mais espaço e encantam turistas e frequentadores. Com peças únicas que vão de comida típica à bolsas, passando por panos de pratos decorados, ao mais diversos produtos artesanais como doces, pães e flores.
A Praça de Alimentação é outra atração. A mistura de comidas típicas cativam moradores que se tornam assíduos. Esse é o caso da aposentada Lurdes Souza, moradora do Luxemburgo, região centro-sul da capital. Ela frequenta o lugar deste 1995. E até fez amizades com alguns feirantes. “Sou apaixonada pela feira, quase todo domingo estou aqui”. Hoje, por exemplo, ainda não comprei nada.Quem sabe uma cervejinha, daqui a pouco’’, relatou a frequentadora .

A administradora Virginia Oliveira e seu marido, o empresário Arthur Oliveira, também são clientes da praça de alimentação. O local se tornou ponto de encontro com os amigos para tomar cerveja, comer biscoitos e jogar conversa fora. "Depois de tomar minha cervejinha, ainda tenho que levar petisco para minha sogra, senão ela briga comigo. Mas ela é adorável", brincou Arthur.

Vale tudo para chamar a tenção dos futuros compradores. Alguns feirantes, para atrair o público masculino, aproveitam da paixão dos homens pelos principais times da capital, como o Atlético e o Cruzeiro, e vendem diversos produtos com estampa das equipes como travesseiro, fronha, além de bordarem os nomes nas camisas que os torcedores trazem na hora tudo feito a mão. "É uma forma de aproveitar a paixão pelo futebol, para ganhar dinheiro. O torcedor não deixa de comprar nem que seja uma bala do time de sua preferência",  comentou o expositor Júlio Cesar Silva Araújo, de 47 anos.

Ele vende, em média, entre R$ 11 mil e R$ 12  mil por mês. E espera lucrar mais com a chegada do fim de ano, apesar da má fase dos times mineiros. Para o feirante, o 13º salário ajuda a vender mais neste período. Na economia informal há anos, ele diz que agora vai se formalizar como pequeno empreendedor. “Espero contratar um ajudante no ano que vem”, afirmou.

A artesã Manoela da Conceição de Souza, de 53anos, trabalha na feira deste o inicio dos anos 1990. Com a venda das flores artesanais – cujos preços variam entre R$7 a R$65 - ela sustenta a casa. "Meu marido me ajuda a fazer as flores. É nossa forma de completar a renda. Com ajuda deste dinheiro, formei um filho na faculdade. Hoje ele é advogado”, relatou, emocionada, a feirante. Para Manoela, a produção das flores é gratificante, principalmente, quando recebe elogios. "Fico muito feliz quando os clientes dizem que são as lindas as peças. E compram para dar de presente. Principalmente os homens, que adoram presentear as esposas e as mães com os arranjos", afirmou.

Um comentário:

  1. Só uma correção, eu, Carlos Soares, não sou diretor da Feira, que isto nem existe. Sou expositor do setor de bijuterias e o editor do site independente feirahippie.com. A feira é administrada pela PBH, especificamente pela Gerência de Feiras Permanentes da Regional Centro-Sul e pela Comissão Paritária.

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