25 de novembro de 2011

Parque Municipal de BH: histórias e emoções

Moradores e turistas se encantam com o parque municipal

Antônio de Pádua


Imagem: Creative Commons

O Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no coração da cidade, é o mais antigo patrimônio ambiental de Belo Horizonte. Inaugurado em 26 de setembro de 1897, antes mesmo do surgimento da nova capital mineira, o parque foi projetado no final do século XIX, pela comissão construtora encarregada de planejar a cidade.

Mesmo localizado no Hipercentro, região mais adensada da cidade, o local forma hoje um ecossistema representativo, e reúne diversas espécies de árvores exóticas e nativas, além de ser considerado um refúgio para a fauna silvestre, abrigando várias espécies de aves e outros animais, como gambás e micos. Com uma área de 182 mil metros quadrados de extensa vegetação, o parque contribui para amenizar o clima da região central da cidade.

A ampla área verde e o ambiente agradável faz com que várias pessoas passeiem pelo parque, para aliviar o estresse do dia a dia ou, simplesmente, respirar um ar mais puro, em pleno centro da capital. É o caso de Sílvia Andrade, 32 anos. A operadora de call center sempre passa no local antes do expediente: “Adoro este espaço, e até me esqueço do estresse. Não há outro lugar melhor na cidade."

Além dos equipamentos esportivos, o parque oferece para a população várias opções de lazer gratuitas: brinquedos, pista de caminhada, quadra poliesportiva, pista de skate e quadra de tênis. Os frequentadores também podem se divertir com os tradicionais burrinhos, o trenzinho e os fotógrafos "lambe-lambe".

Bento de Pádua, 68 anos, começou a trabalhar com fotografia no local há 32 anos e explica que o parque é fundamental para a vida dele, pois é de onde tira toda sua renda. O fotógrafo diz que a parte mais interessante do trabalho é lidar com a diversidade de pessoas que frequentam o lugar. Ele ainda guarda a lembrança da velha máquina fotográfica: “Sim, já fui lambe-lambe", conta.

Além de ter sua fundação diretamente ligada à história da cidade de Belo Horizonte, o Parque Municipal também contribuiu para escrever a história do futebol mineiro, sendo palco da fundação do Clube Atlético Mineiro, uma das equipes mais tradicionais do Brasil. No dia 25 de março de 1908, um grupo de 22 estudantes trocou as aulas daquela quarta-feira por uma reunião no coreto do parque. A partir daquela reunião, nascia, então, o Athlético Mineiro Football Club, que, em 1913, passou por uma mudança de grafia, a qual resultou no atual nome.

Novo Hospital Mater Dei terá 30 mil atendimentos mês

Hospital Mater Dei (Divulgação)
Antônio de Pádua

Nova Unidade do Hospital Mater Dei está sendo construída no antigo prédio do Mercado da Barroca, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Serão 310 vagas de estacionamento, 15 salas de cirurgia, CTI com 70 leitos e pronto- socorro.

A obra vai permitir, ainda, a ampliação do setor de oncologia do Mater Dei. De acordo com José Salvador, presidente e fundador do hospital, a fundação vai manter os dois prédios, que poderão atender melhor os pacientes e médicos: “Hoje nosso pronto-socorro é bom, um dos melhores da capital, mas é pequeno. Agora teremos dois, o que vai facilitar o atendimento e tratamento de doenças”.

Para dar continuidade ao compromisso de atender, da melhor maneira possível, os clientes e pacientes, o Hospital Mater Dei adquiriu, em dezembro de 2010, um terreno de 7.800 m2, em leilão realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte. No local, será construída uma nova unidade, com aproximadamente 310 leitos, voltada para tratamentos diversos: cirurgias de alta complexidade, doenças oncológicas, crônicas, degenerativas, atendimentos de urgência e emergência, entre outros.

Próximo da sede atual, o novo edifício será na avenida do Contorno, entre as ruas Uberaba, Gonçalves Dias e Alvarenga Peixoto, em Belo Horizonte, onde antes funcionava o mercado distrital do Barroca.

A localização é estratégica e privilegiada, porque há ligação com importantes vias e avenidas, facilitando o acesso, principalmente em casos de urgência. Essa aquisição foi feita para possibilitar a expansão do Hospital, atualmente com dois blocos interligados, totalizando 335 leitos, com índice de ocupação crescente e, em várias situações, superando a quantidade de leitos disponíveis.

Essa realidade tem sido uma tendência no setor de saúde em âmbito nacional, devido ao aquecimento da economia, número de pessoas que possuem planos de saúde e também ao envelhecimento da população e aumento da expectativa de vida.  Além dos benefícios que ampliam a assistência médico-hospitalar, serão criadas novas oportunidades de formação de mão de obra e postos de trabalho, resultando em crescimento social, econômico e promoção da qualidade de vida da população

O projeto já está sendo desenvolvido pela empresa Zanettini - Arquitetura Planejamento Consultoria, sediada em São Paulo, com 50 anos de mercado e mais de 1.200 projetos em diversas áreas. É especializada em construções que incluem desenvolvimento sustentável, arquitetura contemporânea, conservação ambiental, eficiência energética, tecnologia não poluidora, racionalização de consumo e qualidade ambiental interna e externa, que utiliza condições ambientais naturais.

A nova unidade do Mater Dei está construída numa concepção dinâmica, visando oferecer aos clientes conforto por meio de soluções prediais inovadoras, com plano urbanístico local, prevalecendo os conceitos avançados de modernidade e preservação da maioria das árvores já existentes no local, algumas quase centenárias.

A construção já começou e o terreno está na terraplanagem para ganhar o nono centro hospitalar. O espaço do antigo mercado foi negociado por R$ 53 milhões, através de leilão realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte. O médico, fundador e atual presidente do Mater Dei, José Salvador Silva, diz que a nova unidade será mais uma opção de assistência à saúde para a Região Metropolitana de BH, já que a atual sede do hospital é menor: “A nova filial está sendo construída para atender aos anseios dos pacientes, funcionários e convênios. Estamos com uma ocupação muito alta, quase 100%. Nossa preocupação agora é com o bom atendimento humanizado, com conforto e segurança. Foi por isso que decidimos por uma nova unidade do Mater Dei, que vai intensificar ainda mais o atendimento à população”, diz.

Os gastos com a compra do terreno e construção do hospital são altos. Segundo moradores da região, a nova unidade do Mater Dei trará, além de acolhimento hospitalar, mais tranquilidade e movimento ao entorno, uma vez que, após às 18 horas, o ponto era considerado perigoso para quem transitava pelo local.

24 de novembro de 2011

Feira hippie de BH movimentou R$170 milhões em 2010

Evento emprega 11 mil pessoas e gera 0,04% do PIB da capital

Antônio de Pádua


















Domingo é dia de muito trabalho para os expositores da Feira de Arte e Artesanato Afonso Pena ou simplesmente “Feira Hippie." Se para muitos é uma tradição, para a economia de Belo Horizonte é um dos eventos mais rentáveis. De acordo com Carlos Soares, coordenador do site feirahippie.com e representante da Associação dos Feirantes, além de empregar diretamente 11 mil pessoas, a feira movimenta o comércio local. Carlos Soares ainda relatou o quanto a feira arreca: pelo menos 0,04% do Produto Interno Bruto (PIB) da capital anualmente, conforme pesquisa financiada pelo Banco do Brasil, em parceria com o Instituto Isabela Hendrix (2008/2009).

A cada semana, o comércio de matérias primas e os setores de bares, restaurantes e hospedagem da cidade também são aquecidos por causa do evento. A cada domingo, de acordo com Carlos Soares, um dos diretores da feira, pelo menos 80 milpessoas visitam a capital mineira.

Com muita criatividade, técnica e qualidade os artesãos da feira conquistam cada vez mais espaço e encantam turistas e frequentadores. Com peças únicas que vão de comida típica à bolsas, passando por panos de pratos decorados, ao mais diversos produtos artesanais como doces, pães e flores.
A Praça de Alimentação é outra atração. A mistura de comidas típicas cativam moradores que se tornam assíduos. Esse é o caso da aposentada Lurdes Souza, moradora do Luxemburgo, região centro-sul da capital. Ela frequenta o lugar deste 1995. E até fez amizades com alguns feirantes. “Sou apaixonada pela feira, quase todo domingo estou aqui”. Hoje, por exemplo, ainda não comprei nada.Quem sabe uma cervejinha, daqui a pouco’’, relatou a frequentadora .

A administradora Virginia Oliveira e seu marido, o empresário Arthur Oliveira, também são clientes da praça de alimentação. O local se tornou ponto de encontro com os amigos para tomar cerveja, comer biscoitos e jogar conversa fora. "Depois de tomar minha cervejinha, ainda tenho que levar petisco para minha sogra, senão ela briga comigo. Mas ela é adorável", brincou Arthur.

Vale tudo para chamar a tenção dos futuros compradores. Alguns feirantes, para atrair o público masculino, aproveitam da paixão dos homens pelos principais times da capital, como o Atlético e o Cruzeiro, e vendem diversos produtos com estampa das equipes como travesseiro, fronha, além de bordarem os nomes nas camisas que os torcedores trazem na hora tudo feito a mão. "É uma forma de aproveitar a paixão pelo futebol, para ganhar dinheiro. O torcedor não deixa de comprar nem que seja uma bala do time de sua preferência",  comentou o expositor Júlio Cesar Silva Araújo, de 47 anos.

Ele vende, em média, entre R$ 11 mil e R$ 12  mil por mês. E espera lucrar mais com a chegada do fim de ano, apesar da má fase dos times mineiros. Para o feirante, o 13º salário ajuda a vender mais neste período. Na economia informal há anos, ele diz que agora vai se formalizar como pequeno empreendedor. “Espero contratar um ajudante no ano que vem”, afirmou.

A artesã Manoela da Conceição de Souza, de 53anos, trabalha na feira deste o inicio dos anos 1990. Com a venda das flores artesanais – cujos preços variam entre R$7 a R$65 - ela sustenta a casa. "Meu marido me ajuda a fazer as flores. É nossa forma de completar a renda. Com ajuda deste dinheiro, formei um filho na faculdade. Hoje ele é advogado”, relatou, emocionada, a feirante. Para Manoela, a produção das flores é gratificante, principalmente, quando recebe elogios. "Fico muito feliz quando os clientes dizem que são as lindas as peças. E compram para dar de presente. Principalmente os homens, que adoram presentear as esposas e as mães com os arranjos", afirmou.

23 de novembro de 2011

Quando perguntar se torna uma profissão rentável


Pesquisadores e entrevistadores free-lancer se livram da rotina do trabalho e ganham dinheiro com isso
  
Edward Magalhães
  
Quem já passou por pontos muito movimentados de Belo Horizonte, certamente, já viu um pesquisador. Na Praça 7, no Mercado Central, na Praça da Liberdade, em estações do metrô... Lá estão eles, de prancheta e caneta nas mãos, abordando as pessoas que passam com as mais diversas perguntas, sempre muito educados, ouvindo e anotando com atenção as respostas.

A pesquisa, hoje, é uma ferramenta indispensável para o mercado. É por meio dela que empresas tomam decisões estratégicas, decidem a melhor forma de criar e lançar um novo produto. Também é fundamental para partidos políticos na hora de decidir quem é o melhor candidato para cada pleito, os rumos que uma campanha deve tomar e como cada atitude pode influenciar nas eleições.

Essa importância faz com que a demanda por entrevistadores aumente de modo considerável. Há muita procura por mão-de-obra por parte dos institutos de pesquisa e das empresas especializadas em coleta de dados. O ano eleitoral está por vir e vai aquecer ainda mais o mercado para a contratação de pesquisadores. “É a época de ouro para aumentar o número de vagas em pesquisas políticas”, diz a diretora do V1 Inteligência Estratégia, Anice Pennini. “É um mercado que está se abrindo, é um ano em que as coisas vão acontecer”. Sua sócia, Flávia Lage, acrescenta: “A procura pode aumentar em 100%”.

Trabalhar com pesquisa, entretanto, não se resume a fazer perguntas. “Fazer uma pesquisa é muito mais que apenas aplicar um questionário de acordo com as instruções recebidas”, diz Flávia. Segundo Anice, é preciso preparo. “Quando se entrevista uma pessoa, é necessária a colaboração do entrevistado. Envolve postura na abordagem, conquista. Vai do jeito de falar, da paciência em esperar as respostas, de entender as negativas”.

O perfil dos candidatos para o cargo de pesquisador é bastante democrático. De acordo com Anice, é necessário ter boa vontade, compreensão do trabalho que será feito e seguir corretamente as regras. Essa visão é compartilhada por Alexandre Souza, diretor da Real Pesquisas, empresa especializada somente na coleta de dados. “É preciso entender a importância da pesquisa para o mercado e ter uma visão globalizada do processo. Saber se comportar numa favela ou em um bairro nobre. O entrevistador tem que ser um camaleão, saber se adaptar às situações”.

A idade não é problema para quem deseja trabalhar com pesquisa. As empresas contratam desde jovens de 18 anos até senhoras com mais de 40. Postura profissional, entretanto, é fundamental. “A coisa mais importante que pedimos para nossos pesquisadores é responsabilidade. Não podem encarar o trabalho apenas como um bico”, diz o também diretor da Real Pesquisas, Allan Queirós. Alexandre completa: “Buscamos pessoas que tenham uma boa dinâmica de conversa, não meros perguntadores”.

Os pesquisadores são contratados pelos institutos e empresas para contratos específicos, não possuem vínculo empregatício. O pagamento é feito sempre por produção e os cálculos podem ser baseados pelos dias trabalhados ou pelo número de questionários aplicados. Os ganhos são variáveis, podendo chegar até R$ 1500 por mês. A jornada dura entre seis e oito horas, com a possibilidade do entrevistador montar seu horário.

Um dos pontos altos para quem trabalha diariamente com pesquisa é a total ausência de rotina no emprego. Afinal, faz trabalhos completamente distintos, lidando com pessoas e locais diferentes. Essa é a visão de Dário Ribeiro, que desde 1995 atua na área. “O contato com o público, que muda de acordo com o objetivo da entrevista, e a chance de conhecer assuntos sobre os quais não tinha muita noção. Faz com que o trabalho seja muito interessante”. A possibilidade de viajar também é destacada. Sílvia Vianna, entrevistadora há quase 20 anos, diz conhecer boa parte do Brasil graças à pesquisa. “Já fui a mais de 100 cidades”.

Dário já teve a oportunidade de voltar a trabalhar com carteira assinada, como auxiliar administrativo, mas não conseguiu ficar muito tempo longe da pesquisa. “Já tive empregos formais três vezes nesses últimos 15 anos, mas logo voltei a ser entrevistador”. Segundo ele, a pesquisa tem pontos fracos, como o tempo em que fica parado, sem trabalhar. A falta de estabilidade incomoda, principalmente pela questão de segurança, mas as vantagens de ser pesquisador compensam isso. “Quando perguntam qual é a minha profissão, respondo com orgulho que sou pesquisador. É a minha vida”, completa.

Sim, teremos tropeiro!

Prato tradicional da culinária mineira está garantido nos estádios de Belo Horizonte durante a Copa do Mundo de 2014

Osvaldo Reis




Parafraseando o saudoso cantor e compositor Gonzaguinha, “dez entre dez mineiros preferem feijão”. A paixão dos mineiros pelo feijão, mais especificamente pelo feijão tropeiro, não foi esquecida pelos responsáveis pela reformulação do Mineirão, maior palco do futebol em Minas Gerais. Mas por pouco o tropeiro não ganhou cartão vermelho.

A presença da iguaria na Copa do Mundo de 2014 chegou a ser vetada pela Fifa, que credencia apenas restaurantes e lanchonetes internacionais nos eventos que organiza. Mas para a felicidade dos mineiros, o prato típico teve sua presença confirmada nos bares e restaurantes durante a competição, após uma série de reuniões entre a Prefeitura de Belo Horizonte, Governo do Estadode Minas Gerais e representantes da entidade máxima do futebol.
 
 
“O tropeiro já está convocado para a Copa”, afirma o diretor-geral da Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais (Ademg), Ricardo Raso. “Trata-se de uma tradição dos estádios da capital, não apenas do Mineirão, mas também do Independência. Levamos essa informação para os representantes da Fifa, que atenderam nossos pedidos e garantiram que o prato estará disponível para os torcedores não apenas na Copa do Mundo, mas já na Copa das Confederações, em 2013”, completa.

Os dirigentes mineiros tiveram que se empenhar para convencer a Fifa da importância do tropeiro no Mineirão. “Mostramos que o tropeiro já atingiu o nível de atração turística em Belo Horizonte. Muitos torcedores dizem que a ida ao Mineirão só é completa se houver tropeiro no cardápio”, afirma o assessor de comunicação do Comitê de Belo Horizonte para a Copa 2014, Rogério Bertho.

A importância do Mineirão ficou evidenciada no fim do último mês de abril, quando os responsáveis pela reformulação do estádio comemoraram os primeiros 100 dias de obras com um almoço festivo batizado de “Tropeirão do Mineirão”. Na ocasião, operários e autoridades se reuniram em tendas armadas no antigo gramado para saborear o prato típico.

Fechado em 2010 para as reformas visando a Copa do Mundo, o Mineirão teve todas as concessões de bares e restaurantes encerradas. A Ademg ainda não definiu quando será aberto novo processo licitatório, mas garante que a qualidade dos alimentos servidos e do atendimento serão itens obrigatórios para quem quiser disputar um espaço. “Os amantes do tropeiro podem ficar tranquilos, a qualidade no preparo vai aumentar muito”, diz Ricardo Raso. O novo estádio terá 28 bares e restaurantes, dez a menos do que tinha antes da reforma.

Alívio para comerciantes

Arroz, feijão tropeiro, torresmo, carne de porco, couve e ovo. Essa é a composição básica do tropeiro, vendido no Mineirão desde sua inauguração, em 1965. E para a felicidade de quem o comercializa, seguirá como iguaria principal do estádio. “É um alívio saber que o tropeiro não será extinto. Não consigo nem pensar no Mineirão sem ele”, afirma a proprietária do bar Tropeiro do 13, Eliane Assis.

Com a reforma do Mineirão, Eliane segue vendendo o tropeiro no bairro Planalto, Zona Norte de Belo Horizonte. No estádio, ela era a dona do restaurante instalado próximo ao portão 13, que deu o nome ao estabelecimento. “As pessoas vêm aqui para lembrar do Mineirão, mas não é a mesma coisa. Espero que essa reforma termine logo”, desabafa.

Acostumada a vender cerca de 700 pratos em um jogo de grande porte, Eliane está preocupada com o processo de licitação para bares e restaurantes do novo estádio. “Espero que dêem chance para que pequenos comerciantes, como eu, possam ter chance de disputar uma vaga. Tenho medo que o Mineirão fique muito elitizado”.

Hoje recluso na Arena do Jacaré, o comerciante Rogério Assis tem o mesmo medo. “Já tive prejuízo por ter que vir para Sete Lagoas. Nem quero pensar em ficar de fora do Mineirão”, diz. Dono de um dos bares instalados na Arena, Rogério afirma não vender 30% do que vendia no estádio da Pampulha. “Aqui é muito pequeno, são poucos torcedores. Mesmo estando bem instalado, não chego a vender 100 tropeiros por dia”. Na Arena, ele vende o tropeirinho (porção menor, sem ovo) por R$ 7 e o tropeiro tradicional por R$ 10.

Torcedores satisfeitos com a manutenção do tropeiro

Quem mais comemorou a permanência do tropeiro no Mineirão durante a Copa do Mundo foram os torcedores belo-horizontinos, frequentadores costumeiros do estádio. Para o estudante Abner Faustino, “ir ao Mineirão e não comer tropeiro é a mesma coisa que não ir ao estádio. É uma tradição do estádio, da cidade. Se na Alemanha eles servem salsichões nos estádios, no Mineirão tem que ter tropeirão”, diz.
Assistente de apuração em Vespasiano, Leonel Pacheco concorda. “O prato de feijão tropeiro está enraizado na cultura de quem vai ao Mineirão. Ele tem o mesmo significado do acarajé para os baianos ou da moqueca de peixe para os capixabas”, entende. Rogério Bertho, repórter da rádio Itatiaia nos anos 90, se recorda de quando chegava mais cedo ao estádio para saborear o tropeiro. “Eu ia pra jornada mais satisfeito e animado”, diz

A permanência do tropeiro, contudo, não é unânime. Apesar de ser querido pela maioria dos torcedores, há quem tenha ficado triste com a notícia. É o caso da professora universitária Márcia Macedo, de Barbacena. “Eu detesto o tropeiro. Os torcedores não têm educação, fica uma sujeirada nas cadeiras e arquibancadas”, protesta.

Se não é unanimidade, o tropeiro tem atrás de si a preferência da maioria dos torcedores que vão ao Mineirão para se alegrar ou sofrer com seu time do coração. Ele continuará servindo para fazer com que atleticanos, cruzeirenses e americanos saiam do estádio rindo de barriga cheia – de tropeiro - com as vitórias de seus times. Os auto-falantes do estádio vão poder conclamar: “Ademg informa! Copa do Mundo com tropeiro é muito mais gostosa!”

Mineirão será palco da semifinal da Copa do Mundo

A FIFA confirmou em Outubro, os jogos da Copa do Mundo de 2014. Belo Horizonte sediará seis partidas. Quatro serão na fase de grupos, sendo três desses com países cabeças de chave. Também um jogo de oitavas de final onde provavelmente o Brasil estará presente e uma das partidas semifinais está garantida para o Mineirão. A Copa das Confederações que será realizada em 2013 no Brasil, terá quatro jogos no Mineirão, inclusive a grande semifinal.

 
Foto: Creative Commons



Caminhas em vias urbanas é uma boa escolha?

Solange Baker

Os riscos são maiores do que os benefícios. É o que ressalta o Dr. Edilson Corrêa, pneumologista, diretor de Promoção da Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES).
Corrêa afirma que todas as pessoas, tanto saudáveis quanto doentes, deveriam adquirir esse hábito por uma melhor qualidade de vida. Mas se essa prática não ocorrer em locais apropriados, ou seja, em um ambiente arejado, arborizado e tranquilo, os objetivos não serão alcançados satisfatoriamente. “A atividade física poderá ser mais maléfica do que benéfica”, observa.
É o caso da pista de caminhada na Via Expressa, que atende os moradores do bairro Coração Eucarístico, região noroeste da Capital. O “cercadinho”, como é carinhosamente chamado pelos usuários da pista, está instalada em meio a uma imensidão de carros que transitam pela via o dia todo. O pneumologista reprova terminantemente qualquer atividade física nessa área. “Como médico, não recomendaria aos meus pacientes. Não só nos horários considerados mais carregados, mas em nenhum horário”.
A dona de casa Cristina Fernandes, 51 anos, faz caminhada há cerca de quatro anos no “cercadinho”. Ela não tem nenhum problema de saúde, caminha apenas para manter a forma. Para ela a vantagem da pista é o fato de proporcionar uma sequência e um ritmo regular nos movimentos, por ter um percurso regular, além de ficar perto de sua casa. E a desvantagem é a poluição, o barulho e o perigo para atravessar a avenida que dá acesso à pista. "O único espaço nessa região é esse aqui, não tem outro", lamenta.
Outro usuário do “cercadinho”, o aposentado Reino Sérgio da Silva, 76 anos, usa o local por causa da proximidade com sua casa. Ele considera que, por ser uma região movimentada, não corre risco de assalto. “O médico recomendou para controlar o peso, por causa da minha saúde”. Reino mostra preocupação com o risco que corre para atravessar a avenida, devido à sua idade avançada, além do cheiro forte dos gases emitidos pelos veículos.
De acordo com o pneumologista Edilson Corrêa, um dos principais poluentes da atmosfera, o monóxido de carbono, é um dos gases emitidos pelos escapamentos dos automóveis. “A pessoa que está fazendo atividade física demanda mais oxigênio, e se ela está realizando a prática de exercícios em uma região como essa é obvio que o efeito provocado nos pulmões não será saudável, pois ela estará respirando gases tóxicos”.
As doenças mais comuns e frequentes a quem se expõe aos ambientes poluídos são a asma e a bronquite. Os portadores de doenças crônicas respiratórias e aqueles que fazem controle de enfisema pulmonar terão seus quadros agravados, se respirarem com frequência gases poluentes que são eliminados com a combustão da gasolina.
Corrêa lembra que Belo Horizonte, na década de 1920, era considerada a capital com índices de melhor qualidade do ar. “As pessoas vinham para Belo Horizonte para se tratar de doenças respiratórias, como a tuberculose. Agora isso não acontece mais. É louvável a criação das pistas de caminhada, mas é preciso adequá-las a um ambiente saudável", alerta.
O exercício físico comprovadamente diminui os riscos de doenças cardiovasculares, afirma a bióloga Myrian Morato Duarte, analista e pesquisadora de Saúde e Tecnologia da Fundação Ezequiel Dias (FUNED). Ela salienta que o exercício físico age sistematicamente no controle da obesidade, hipertensão, colesterol e fumo.
“Há uma grande distinção entre o esquema de exercícios direcionados para adquirir força e resistência para competições, que tem pouco efeito no condicionamento cardíaco e o necessário para aumentar a resistência cardiovascular, que é o exercício aeróbico executado em uma caminhada ou corrida. O exercício deve ter duração suficiente para causar consumo de oxigênio, e deve ser realizado com determinada regularidade para ter efeito cardiovascular. Neste caso, todos os órgãos envolvidos na obtenção e transporte de oxigênio, pulmões, coração, vasos sanguíneos e músculos, serão afetados e se tornarão mais eficientes com o treinamento”.
Com o objetivo de conhecer os motivos que levaram a escolha da Via Expressa, na região noroeste, para a instalação do “cercadinho”, considerando que é uma via com um fluxo intenso de veículos em praticamente todos os horários, a Secretaria de Obras e Infraestrutura da Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada, mas preferiu não se pronunciar.

21 de novembro de 2011

Redes sociais: a mania mundial

Camila dos Anjos

Atualmente, o grande sucesso da internet são as redes sociais que encantam desde crianças a idosos pelo mundo. 

As redes sociais digitais são novos fenômenos comunicacionais. Elas possibilitam ao internauta socialização, compartilhamento de informações e a sensação de “estar-junto” de um amigo que está do outro lado do planeta.

Um exemplo disso são os 800 milhões de usuários que o Facebook conquistou pelo mundo. A estudante Flávia Bastos, de 18 anos, diz que passa, em média, 4 horas por dia na Internet, grande parte desse tempo no Facebook. Ela adora acessar esta rede social para conversar com seus amigos que estão distantes, fazer novas amizades e conhecer os novos talentos que surgem através da rede mundial de computadores: "A visibilidade oferecida pelas redes socais é incrível. É um mundo de muitas oportunidades, vários talentos podem ser descobertos”, acredita. Flávia ressalta que os internautas devem pensar muito antes de postar algo, pois a repercussão é  incalculável .
     
O público conseguiu “força” com o uso dessas redes. O que a mídia tradicional num primeiro momento não divulgaria, há tempos atrás, agora faz com que não seja ignorado pelos meios de comunicação de massa. Isso porque um determinado fato “bombar” na internet e ganhar visibilidade nas redes sociais, a mídia tradicional não pode mais ignorar. É o encadeamento midiático que faz com que uma mídia paute a outra num processo contínuo de retroalimentação.

As empresas estão percebendo que as redes sociais se tornaram um meio eficaz de publicidade e divulgação de trabalhos. O vocalista Nano, de 25 anos, da banda de rock Nossa Fúria, diz que utiliza My Space e Facebook para divulgar os trabalhos da banda e interagir com os fãs. Segundo ele, o uso dessas redes possibilita que o público conheça com facilidade as músicas da banda, os novos trabalhos e permite a conhecer a opinião dos fãs. Nano defende o download de música pela iIternet: “Sou totalmente a favor do download de músicas. Isso é o livre acesso de conteúdo. Já sofremos 200 anos com esse cartel das gravadoras e dos empresários”, critica.

A doutora em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea, Telma Johnson, afirma que  o  mundo on-line é uma extensão do mundo concreto (real).Os usuários devem  lembrar que há pessoas com boas e más intenções. Utilizar o bom senso é essencial na hora de usar a Internet, pois a rede possui muitos benefícios, mas existem também muitas “armadilhas” criadas por mafiosos: “Se existem problemas de desrespeito moral e ético no mundo real, por que não teríamos no mundo on-line já que este é um prolongamento do nosso mundo concreto”, questiona.  

Johnson diz que as redes sociais conseguem fazer uma quebra das limitações de tempo e espaço, com elas os internautas podem “ver”, “rever” e manter amigos com baixo custo e retorno instantâneo. Uma forte característica da rede social é a oportunidade do cidadão comum produzir notícias  e opinar sobre determinado assunto, o que há  alguns anos não era possível: “As redes sociais trazem um sentimento de liberdade e várias oportunidades. Acredito que é um hábito saudável de socialização”, disse a doutora.

Foto: Internet

20 de novembro de 2011

Número de vítimas da dengue em BH tem redução significativa em 2011

Fábio Márcio



Foto: Fábio Márcio

Apesar da redução do número de casos de dengue, ainda existe descuido em muitos lugares









Em Belo Horizonte, o número de pessoas afetadas pela dengue este ano é significativamente menor em relação ao mesmo período do ano passado. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA). Até o momento, a capital registrou 7.072 notificações de casos suspeitos da doença.

Desse total, 1.503 casos foram confirmados, sendo três casos de dengue com complicações e quatro de febre hemorrágica, dengue (FHD); 5.269 foram descartados e 300 estão pendentes. A região Noroeste apresenta o maior número de casos, com 264 confirmações, seguida pelas regiões Norte (252 confirmações) e Barreiro (173 casos confirmados).

No segundo semestre de 2011, foram contabilizados 1.503 casos de dengue, enquanto que em 2010 o número de casos confirmados chegou a 51.644. Isso significa uma redução de 97% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o número de casos, este ano, é de 7.024, contra 67.238 no mesmo período do ano passado, uma redução de 90%, de acordo com Márcio Martins, assessor de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde.

Para acabar com os criadouros do mosquito, a SMSA promove ações de mobilização e conscientização durante todo o ano e, no segundo semestre, período de fortes chuvas na capital, os cuidados são maiores. A SMSA, em parceria com a (Superintendência de Limpeza Urbana) SLU, realiza mutirões de limpeza para reduzir os criadouros do vetor da doença.

Neste ano, foram realizados 172 mutirões de limpeza nas nove regionais da capital. Em média, mais de um mutirão a cada dois dias. Nesses mutirões, foram recolhidos 1.391 toneladas de lixo e 3.980 pneus.

A Copa vem aí. Belo Horizonte está pronta?

Como empresas e entidades estão se preparando para receber a Copa do Mundo, que chegará à capital mineira trazendo uma revolução na economia e no comportamento da sociedade

Edward Martins Magalhães


Belo Horizonte está contando os minutos para o início da Copa do Mundo. Desde que a capital mineira foi anunciada como uma das sedes da competição, o maior evento do esporte no Planeta, todos na cidade só pensam em como serão os jogos por aqui.

O Mineirão, grande palco dos jogos na cidade, tem sua reforma andando a passos largos. É o único estádio cujo andamento das obras está dentro do cronograma enviado à FIFA, entidade que rege o futebol. O Independência também está sendo revitalizado e será utilizado pelas seleções para treinos, assim como os Centros de Treinamento de Atlético, Cruzeiro e América, considerados como uns dos melhores do Brasil.

Se em alguns aspectos Belo Horizonte está pronta para receber a Copa do Mundo, em outros, contudo, a capital deixa a desejar. Alguns setores, que terão enorme visibilidade durante a competição, ainda estão iniciando seus projetos voltados para o campeonato. Os planos ainda estão no papel, o que pode acarretar sérios prejuízos. Não apenas financeiros, mas institucionais.

De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o instituto Ernest Young, há a estimativa que Belo Horizonte atraia R$ 33 bilhões em investimentos diretos. O levantamento releva que a capital oferece 699 possibilidades de negócios a serem exploradas por nove setores da economia. Desse montante, 20% serão abocanhados por micro e pequenas empresas.

“É uma oportunidade de ouro, mas quem não se preparar certamente ficará fora do mercado. Não apenas da Copa do Mundo, mas de tudo que vier a reboque dela”, afirma o gerente da área de serviços do Sebrae, Vinícius Lages. Até porque, companhias de outros estados sabem a importância de Belo Horizonte no evento. “As empresas de fora querem vir pra cá”, diz o pesquisador da FGV, Roberto Pascarella, que no começo de agosto ministrou uma palestra sobre oportunidades de negócios na prefeitura da capital.

Táxis ainda sem planejamento definido

Um dos setores que terá maior aumento na procura durante a Copa do Mundo é o dos táxis. No entanto, os projetos de capacitação dos motoristas, que inclui o ensino de um segundo idioma, além na melhora da frota, ainda não foram concretizados. A perspectiva é que só comecem a ser implementados a partir de 2012.

Segundo a assessoria de imprensa do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas e Transportadores Rodoviários (Sincavir), haverá uma parceria com a Belotur na criação de um curso específico de indicações turísticas, além da possibilidade de parcerias com escolas de idiomas para ofertar aos motoristas cursos de inglês e espanhol a preços reduzidos, mas não há data prevista para o início dos projetos.
A Coopertaxi, cooperativa que abriga cerca de 400 táxis na capital, marcou para o ano que vem o início de cursos de inglês e espanhol para seus filiados. “A capacitação de nossos profissionais não se dá pensando apenas na Copa do Mundo, mas já na Copa das Confederações, que será disputada em 2013”, diz o diretor financeiro da empresa, Arthur Alves Barbosa. “Belo Horizonte terá um aumento na ordem de 70% nas corridas de táxi durante o Mundial. Não podemos perder essa oportunidade”, completa.

Hotéis, bares e restaurantes seguem estagnados

Um dos principais problemas que Belo Horizonte enfrenta na luta para receber a contento a Copa do Mundo é a baixa capacidade de sua rede hoteleira, que dispõe de poucos quartos e somente um estabelecimento considerado de alto padrão. Há projetos de construção de pelo menos 25 novos hotéis, entre estes cinco de luxo.

No entanto, pouco se vê no que diz respeito à capacitação dos funcionários do setor para receber um número volumoso de turistas. No site do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte (SindHorb), não há menção de nenhum curso voltado para os empregados e colaboradores. Há mais destaque para sorteios de TVs de LCD para sócios com pagamento em dia que para a Copa do Mundo. Procurada pela Belohorizontinos, a assessoria de imprensa do sindicato preferiu não se manifestar a respeito da reportagem.

Polícia Militar traça estratégias para a Copa

Se alguns nichos empresariais não estão dando a devida consideração para a Copa do Mundo, o mesmo não se pode dizer de outros setores, que não serão atingidos financeiramente pelo evento, mas cuja atuação pode gerar lucros ou prejuízos no ponto de vista institucional.

Ciente da importância que tem para o bom desenvolvimento do torneio em Belo Horizonte, a Polícia Militar de Minas Gerais tem trabalhado visando a melhor preparação possível para seus membros. Em março deste ano, a entidade promoveu um encontro, na Cidade Administrativa, para discutir atribuições de responsabilidade da corporação durante a Copa.

“O encontro visou estabelecer discussões em torno de todas as temáticas das atribuições da PMMG, objetivando nortear o processo de planejamento e formulação das macroestratégias da instituição para a Copa de 2014”, afirma o assessor estratégico para a Copa, Cel. Bettoni.
Um dos pontos onde a PMMG será mais testada é no controle do trânsito, que é feito em conjunto com a BHTrans. Para isso, o Batalhão de Trânsito da instituição sabe que é preciso melhorar a qualidade no atendimento, com a preparação de seus profissionais e adquirindo novos equipamentos. “O sucesso dessa empreitada passa também pela dedicação e competência do policial militar, que é testado 365 dias por ano em nossas ruas e avenidas”, diz o comandante da 1º Região da PMMG,Cel. José Geraldo de Azevedo Lima.

Investimento no segundo idioma

Embora muitas das empresas ainda não tenham se conscientizado da importância que a Copa do Mundo terá na economia de Belo Horizonte e de todo o Estado, os profissionais estão atentos nesse sentido e buscam, de maneira isolada, aprimorar seus conhecimentos de olho em maiores oportunidades durante o evento.
Prova disso é a maior procura em aprender um segundo idioma, fundamental para quem vai lidar com milhares de turistas estrangeiros durante a competição. E, claro, o inglês é o carro-chefe nesse sentido. Embora o espanhol tenha tido um crescimento notável nos últimos anos, a língua inglesa ainda é a mais procurada por quem deseja se tornar bilíngue.

Focado no aumento da procura, a rede Cultura Inglesa, fundada em Belo Horizonte em 1941 e que conta com 13 unidades na capital, tem trabalhado visando atender alunos cujo foco é exatamente a competição. “Criamos um curso específico, chamado Profesional English, desenvolvido exclusivamente para o público que trabalha com comércio e serviços. Seu foco principal é na comunicação oral, mas também oferece ao aluno a oportunidade de obter informações culturais sobre diferentes países, como comportamento, etiqueta e linguagem corporal, para que ele saiba lidar com as peculiaridades de cada cultura”, afirma a assessora de imprensa da rede, Iane Chaves.
De acordo com Iane, o aumento na procura por cursos de inglês teve um aumento considerável no último ano. A assessora, contudo, alerta para a importância do aluno dar continuidade ao aprendizado. “É muito importante que as pessoas entendam que a Copa do Mundo deve ser usada como fonte motivadora, mas que o objetivo maior deve ser ampliar cada vez mais o conhecimento do idioma para as consequências pós-evento, como a intensificação do turismo no Brasil e em Belo Horizonte”, diz.

Sebrae promove cursos de capacitação

Quem também está trabalhando maciçamente em novos cursos para a população é o Sebrae. O órgão planeja investir, até 2013, R$ 3 milhões na capacitação de micro e pequenas empresas não apenas da capital, mas de toda a região metropolitana. Dentre os cursos, destacam-se os de atendimento ao cliente, marketing e técnicas de vendas.

Outro curso que chama a atenção é o de mercado de souvenirs, cuja meta é expandir a produção e a comercialização das peças em 45% até 2014. Alguns empreendedores da Feira de Produtores do bairro Cidade Nova, região Nordeste de Belo Horizonte, já estão sendo capacitados. “Após o primeiro curso, pude notar um aumento de 30% nas minhas vendas”, comemora o comerciante Alonso Barbosa Jorge.

O exemplo de Alonso deve ser seguido. Não apenas por pequenos empresários, mas por todos aqueles que desejam expandir seus negócios e vislumbrar lucro antes, durante e depois da Copa do Mundo. Ninguém tem ideia de quando um evento desse porte retornará a Belo Horizonte. Perder as chances que ele propicia será fruto de muita insatisfação para aqueles que militam em qualquer ramo, qualquer segmento.

Encerrado a segunda edição do SWU


Carol Lages


SWU encerra segunda edição com sucesso de público no festival e no fórum de Sustentabilidade
Criado apenas há um ano e meio, o evento SWU (Stars With You) com o slogan “Começa com você” já se tornou um dos principais festivais de música do Brasil. O SWU 2011 aconteceu nos dias 12,13 e 14 de novembro na cidade de Paulínia, no interior São Paulo.
O II Fórum Global de Sustentabilidade SWU reuniu nesses três dias 29 palestrantes nacionais e internacionais. Os palestrantes foram os músicos Neil Young e Bob Geldof, a atriz Daryl Hannah, a Nobel da Paz Rigoberta Menchú e a ex-ministra Marina Silva. E ainda contou com 73 atrações musicais, que se apresentaram em três palcos numa tenda eletrônica. Entre os destaques estavam Peter Gabriel, The Black Eyed Peas, Kanye West, Snoop Dogg, Duran Duran, Chris Cornell, Faith No More, Alice In Chains, Lynyrd Skynyrd, Megadeth, Stone Temple Pilots e Hole, além de atrações brasileiras como Raimundos, Ultraje a Rigor, Marcelo D2 e Zé Ramalho.
Houve alguns shows cancelados em cima da hora. Ai você pensa: "essa banda não tem responsabilidade"? Ai que vocês se enganam... A banda Modest Mouse, por exemplo,  teve que cancelar o show porque não tinha os equipamentos necessários disponíveis, ou seja, a empresa que eles contrataram não chegaria a tempo em Paulínia pra eles tocarem. Outro exemplo foi uma discussão entre a equipe do cantor Peter Gabriel e a banda Ultraje a Rigor, por causa do atraso que ocorrido em função da chuva que prejudicou a apresentação das bandas nos horários programados.
O festival reuniu um público de 179 mil pessoas nos três dias. Tinha muita gente bonita curtindo as bandas. O acesso ao festival foi tranqüilo e organizado durante todo o evento. Não foram registrados acidentes.
A produção já esta trabalhando na terceira edição do festival que acontecerá em 2012, e já adianta será novamente em Paulínia, mas não mais em novembro, e sim em setembro ou outubro.
Vale lembrar que o SWU é novo, e pode ser o novo concorrente do Rock in Rio. Será que o SWU vai ser o novo concorrente do RIR ?

Quer conferir o que rolou? É so entrar no site: http://www.swu.com.br

Por que as mulheres sofrem caladas?

Carol Lages

Lei Maria da Penha...Tudo a favor das mulheres que sofrem violência, seja doméstica ou familiar. Mas por que tantas mulheres ainda não denunciam seus agressores? Essa pergunta só tem uma resposta: o medo do que seus agressores possam fazer contra elas quando saírem da prisão. Em outraspavras, as mulheres só vão estar seguras de denunciar se tiverem certeza de que estarão, realmente, protegidas.
           
A Lei Maria da Penha foi sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 07 de agosto de 2006 e entrou em vigor dia 22 de setembro de 2006. O nome da lei foi uma homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu sérias agressões do seu marido ao longo dos seis anos de casamento. Em 1983, por duas vezes, ele tentou assassiná-la por causa do ciúme doentio que ele sentia. Na primeira vez, com arma de fogo, ele a deixou paraplégica; na segunda vez, por choque elétrico e afogamento. Cansada de sofrer, ela tomou coragem e denunciou o marido.
O marido da Maria da Penha só foi punido depois de 19 anos de julgamento e ficou apenas dois anos em regime fechado, o que provocou revolta em Maria e no poder público.
A Lei
Completada os cinco anos de existência da Lei Maria da Penha, a medida vem conseguindo alcançar o objetivo - proteger as mulheres da violência doméstica. A lei triplicou a pena para esse tipo de agressão, permitiu a prisão em flagrante dos agressores e acabou com as penas pecuniárias - quando a detenção é substituída por pagamento de multa ou cestas básicas. Além do mais, prevê iniciativas que vão desde a saída do agressor do domicílio à proibição de sua aproximação da mulher agredida.
Mas, como em toda lei, há pontos positivos e negativos. Para a estudante Júlia Carolina, 22 anos, a lei teria que ser mais dura com as penalidades. “ Só acho que ela deveria ter alguma penalidade mais pesada, para ver se os homens ficam com medo dessa pena e parem de espancar as mulheres", disse. Sobre a coragem das mulheres de denunciar seus agressores, Júlia ressalta: "Aas mulheres não vão tomar coragem para denunciar as agressões por falta de medidas que punem seus agressores, já que se agride uma vez e  sefaz a ocorrência e ele volta livre para tentar uma segunda agressão".

            Para a estudante Priscila Schip, 22 anos, a principal falha é a lei ser passada erroneamente. “Não é violência contra a mulher, e sim violência doméstica. A lei também pode ser aplicada em favor dos homens e as pessoas não sabem disso’’, comenta a estudante.

18 de novembro de 2011

A Fuga de Cupim

Lino Ramos

O dia amanheceu prometendo, naquele domingo de primavera, garantia de mais um plantão normal no Zoológico de Belo Horizonte, assim como havia sido no dia anterior. Extraordinariamente, a auxiliar administrativa Polyana Evangelista trabalharia em dois plantões consecutivos. Uma colega, escalada para aquele domingo, avisou que não poderia trabalhar, por estar doente. Pollyana se colocou à disposição para cobrir a falta. Nada de estranho para quem estava no trabalho há apenas seis meses, além do mais, a solidariedade lhe renderia um plus no banco de horas.

O dia tinha sido lindo. O plantão tranqüilo, mesmo com pedestres e automóveis batendo o recorde de visitação. As 6 horas da tarde se aproximavam, horário que todo plantonista anseia por preencher o relatório do dia e ir embora. Foi quando Polyana ouviu no radiocomunicador a informação de que Cupim havia fugido. "Demorei para entender o que estava acontecendo. Afinal, quem iria se preocupar com a fuga de um cupim?". Quando a ficha caiu, veio o pânico. "De repente me lembrei que Cupim era o apelido de uma das girafas", lembra, disparando em gargalhadas.

"Na realidade, não acreditei que aquilo estava acontecendo. Justo comigo, que estava em fase de adaptação no primeiro emprego? Tive que me transformar na maior autoridade da empresa naquele instante". Polyana nunca havia presenciado uma fuga de animal. Nem seu papagaio, Louro, havia fugido do quintal de sua casa. A jovem, contudo, tomou coragem e ordenou que os portões fossem fechados, certificando-se de que, de acordo com os vigilantes, era mínimo o número de visitantes naquele momento.

Polyana telefonou, então, para o diretor do Zoológico e se perguntou sobre as medidas tradicionais que deveriam ser tomadas em situações como aquela. O objetivo, claro, era reconduzir Cupim ao seu recinto. O diretor informou que o animal deveria ser atraído com capim para uma casinha existente nas imediações do recinto dos hipopótamos, e deixá-lo preso lá uma vez que a girafa havia quebrado o mourão da cerca de seu reduto e, naquelas condições, não seria seguro mantê-lo lá.

Mas que tarefa ingrata! A girafa era esperta. Polyana, ciente da responsabilidade de quem estava na coordenação dos trabalhos, instruiu os vigilantes para que oferecessem capim fresco a Cupim. O resultado, lamentavelmente, não foi o esperado. O jeito então foi colocar a mão massa. Ela instigou a girafa com o molhe de capim, mas ela nem se mexia. Imprudentemente, a jovem abandonou as instruções recebidas e partiu para iniciativa. "Optei por tocar a girafa como se ela fosse uma simples vaca, mas foi em vão. Quando percebemos, ela corria em disparada atrás de nós. E que pernas compridas!". O cuidado era extremo, pois dada a proximidade, a girafa poderia pisoteá-los.

Cupim se cansou e, depois de muito pelejar, foi quase que sozinho para seu canto. Polyana ordenou que fechassem o portão da casa para impedir que ele saísse novamente. Como era impossível a manutenção da cerca, naquela noite Cupim passou trancado. "Tudo terminou bem. Conseguimos prendê-lo antes que o sol se despedisse daquele domingo", lembra Polyana, recordando-se de um dos momentos mais emocionantes de sua vida.

Caminhar no Prado

Lino Ramos

A caminhada é um excelente exercício para manter as pessoas saudáveis. Auxilia na busca por um condicionamento físico, além de serem mínimos os riscos de lesões ortopédicas em comparação a outras atividades. Além disso, aumenta o convívio social de quem a pratica, aumentando o número de amigos e promovendo a interação cordial entre moradores de uma mesma região.

No bairro Prado, zona Oeste de Belo Horizonte, contudo, são poucas as alternativas encontradas pelos moradores na hora de caminhar. Com suas ladeiras íngremes, passeios apertados e trânsito intenso, há poucas opções. Pampas, Platina, Diabase e Dr. Gordiano, dá aos moradores plenas condições de fazerem da prática do exercício físico um caminho para uma vida saudável.Mas, como todo caminho tem os seus percalços, quem insiste em caminhar no quarteirão em torno do Clube dos Oficiais da Polícia Militar, ou simplesmente Academia de Polícia, como o local é mais conhecido na região, terá dificuldade.

Seja no inicio da noite, ou pela manhã bem cedo, quando o volume de caminhantes é maior, é possível perceber que as pessoas chegam a utilizar a via de veículos como alternativa, para não trombar com outros atletas, postes e arvores. Além do mais, em vários pontos a calçada é estreita e cheia de buracos.

Moradora do Prado há mais de um ano, a arquiteta Jacqueline Rosas usa o espaço pelo menos três vezes por semana, mas reclama de suas condições. “É o que de mais plano o bairro oferece para caminhar, mas a situação é muito precária. As demais alternativas são ainda menos viáveis. Outra possibilidade seria seguir a Rua Platina até a igreja do Calafate, mas fica complicado, a rua é de trânsito intenso e as calçadas estão mal conservadas e estreitas demais”, diz, categórica.

A opinião da arquiteta é compartilhada pelo cadete Mauro Borges, que também faz uso do espaço para se exercitar. “Deveriam pensar em alargar a calçada. O espaço é utilizado por inúmeras pessoas, mas sem as devidas condições. Como não há outros locais propícios para a caminhada, todos vêm pra cá, mas estão sujeitos a tropeços e quedas com tantos buracos”, afirma.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Regional Municipal Oeste, da Prefeitura de Belo Horizonte, não existem reclamações formais sobre o espaço, tampouco solicitações de melhorias na região. O órgão afirmou que a escolha das pessoas por caminhar no local se dá unicamente pelo sentimento de proteção, que advém por se tratar de uma pista em volta de um equipamento da Polícia Militar.

A assessoria da Regional explicou que é impossível adequar a malha viária da região para criar uma pista de caminhada. Quanto à situação da calçada, ao PBH garante que irá acionar a Polícia Militar para tratar do assunto, já que cada imóvel deve zelar pela conservação de seus passeios. Outras medidas, contudo, deverão ser esquecidas. Mesmo diante do número de pessoas que praticam a caminhada no local, não há previsão de intervenção no espaço nem tampouco justifica-se reconhecê-lo como Equipamento Esportivo. A Regional Oeste da PBH aponta a pista existente na Avenida Silva Lobo, no bairro Nova Suíça, como local mais indicado para que os moradores do Prado façam suas caminhadas regularmente.

Natal deverá ser mais gordo em Belo Horizonte


Empresários do comércio estão otimistas com o final de ano e preveem aumento nas vendas na capital mineira

Lino Ramos

Crescimento no número de vendas, maiores lucros e aumento na contratação de vagas temporárias de emprego. Este deverá ser o balanço do comércio varejista em 2011 na capital mineira na opinião dos empresários mineiros, que estão otimistas com o cenário da economia em Belo Horizonte. De acordo com a Fecomércio/Minas, 88,5% dos lojistas acreditam em vendas superiores às do ano passado. A expectativa é a maior desde 2007.

“O percentual dos otimistas situa-se acima do patamar de 80,3% do último ano. Isso mostra maior confiança na força comercial da data, reforçada pelo clima econômico favorável, apesar dos efeitos da crise internacional sobre a percepção dos consumidores”, explica a gerente do departamento de economia da Fecomércio/Minas, Silvânia Araújo.

Segundo a pesquisa da entidade, 30,5% dos empresários acreditam em um aumento de vendas na faixa dos 10% a 20%, com relação a 2010. Outros 27,2% são ainda mais otimistas: esperam que o crescimento atinja a marca dos 50%. Um dos fatores mais preponderantes para esse otimismo é a redução ou manutenção da taxa de juros praticada pelo mercado. A grande maioria dos empresários – 72,7% - considera que a força do crédito deverá ser a maior alavanca para as compras natalinas.

Além do crédito, outros pontos positivos foram destacados pelos comerciantes que esperam melhores resultados nas vendas em 2011. Para 24,7% dos lojistas, a melhor qualidade dos produtos encabeça a lista, seguida pela maior variedade de itens (17,5%), inovações tecnológicas a preços mais acessíveis (16,2%) e o aumento de empregos formais na capital, com 14,3%.

A economista da Fecomércio dá dicas para os lojistas que queiram ter sucesso em suas vendas no final do ano. “Estoques, condições de pagamentos e equipe treinada constituem a combinação perfeita”, diz Silvânia. “O tripé formado por equipe, estoque e vitrine dá vida à rotina e aos processos de relacionamento do comércio, o que garante um ambiente saudável para as compras”, completa.

Ainda segundo a Fecomércio/Minas, os tablets serão a grande novidade nas compras de Natal em 2011. Os computadores de mão, lançados ano passado, estão na lista dos presentes preferidos pelos belo-horizontinos, com 10,8% de chance de compra. As roupas, tradicionais, lideram a lista com 16,2%, seguidas por computadores e notebooks (11,6%) e celulares e smartphones (11,3%).

Demanda por vagas temporárias aumenta

O otimismo dos comerciantes por um Natal mais movimentado que o de 2010 no índice de vendas pode ser comprovado pelo aumento de vagas temporárias no mercado este ano. A estimativa é que 17,9% dos empresários contratem novos funcionários, com o objetivo de atender melhor os consumidores. O número de contratações deverá ser entre 3% e 6% maior que no ano passado.

Se em 2010 o número de funcionários temporários chegou a 8.085, este ano o número de vagas deverá ser superior a 8.500. Segundo o presidente da CDL/BH, Bruno Falci, a elevação deverá acontecer devido à baixa taxa de desemprego e à expansão do crédito. Falci lembra, ainda, que o pagamento do 13º salário irá injetar cerca de R$ 110 bilhões na economia, impulsionando ainda mais as vendas do comércio.

Além do crescimento em relação a 2010, a expectativa é que o Natal desse ano tenha uma efetivação de 20 a 30% do total de vagas temporárias. Com esse volume, espera-se que o índice seja 9% maior que do ano passado. “As efetivações devem-se ao mercado interno aquecido. As classes mais baixas têm se beneficiado do crescimento econômico dos últimos anos, exercendo um papel significativo no aumento das vendas. Os bens de valor agregado são os mais requisitados”, justifica Falci.

O perfil mais solicitado para vagas é de candidatos acima dos 18 anos, com disponibilidade de horário, inclusive finais de semana e feriados, segundo grau completo, comunicativo, desembaraçado, simpático, com boa apresentação e se possível com alguma experiência. “Com a possibilidade de contratação permanente, as empresas estão exigindo profissionais que atendam ao perfil da loja ou produto vendido. Quanto mais sofisticado o produto, como os de tecnologia, por exemplo, maior a exigência dos comerciantes na hora de contratar”, completa Falci.

O número de empregados temporários para cada loja depende de fatores como localização, tipo de produto vendido e promoções preparadas para o período. Segundo Falci, aproximadamente 90% da oferta de vagas temporárias de Natal são para o setor de vendas, estoques, promoções, caixas e cargos como os de demonstradores, degustadores, repositores, auxiliares de crédito e call center.

Uma terça-feira diferente

Visita de crianças excepcionais muda rotina do zoológico de Belo Horizonte

Lino Ramos do Nascimento


Terças-feiras são dias diferentes no Zoológico de Belo Horizonte. Por ser o único dia da semana quando a entrada de pedestres no parque é gratuita, os funcionários estão habituados a lidar com um número maior e mais variado de visitantes. Mas no último dia 25 de outubro, contudo, um grupo especial alterou a rotina de quem trabalha todos os dias atendendo ao público.

Vinte e nove alunos do Centro Municipal de Apoio Educacional de Itabira – Cemae -, todos com necessidades especiais e limitações físicas estiveram no Zoológico para conhecer, alguns pela primeira vez, animais silvestres. Entre cinco e 18 anos, os alunos, alguns com deficiência visual, aproveitaram o dia para complementar os ensinamentos que recebem de maneira teórica, nas salas de aula.

“Gato também mama?”, perguntou o pequeno Tadeu Henrique. Sua sensibilidade, alheia à cegueira que carrega desde o nascimento, fica evidente. A sutileza do toque manual se torna uma estratégia para quem não vê e não fala. Foi assim ao manusear um dente de jacaré ou o chocalho de uma cascavel, cujo barulhinho gostoso quebrou o silêncio do ambiente.

“A visita ao zoológico ajuda nas atividades diárias, como saber se vestir sozinho, atender o telefone ou comprar pão na esquina. A criança que possui algum tipo de deficiência é muito privada. Essa vinda ao zoo permite que eles vivenciem um mundo diferente”, explica a terapeuta ocupacional Adriana Duarte, uma das responsáveis por acompanhar os alunos. “Quando eles retornarem para a sala de aula, irão assimilar melhor as atividades em classe”, completa.

Segundo Adriana, foi a primeira viagem mais longa dos alunos, cerca de 100km. “Só a viagem em si, no ônibus, já foi uma experiência nova. E o atendimento especial que receberam por parte da Fundação Zoo-Botânica (FZB-BH) deixará neles uma marca positiva para sempre. Quando eles poderiam tocar um jabuti, uma cobra ou um coelhinho?”, diz a terapeuta.

Depois de conhecerem o porquinho da Índia e o bicho-pau, inseto que tem como mecanismo de defesa a camuflagem, a festa da criançada veio com um simples ovo de galinha. “Ele é pequeno, o de avestruz é muito maior”, constatou um dos alunos. Conhecer a textura das mudas de pele das serpentes assustou um pouco, mas o medo logo se dissipou. “As peles não mordem”, disseram, aos risos.

“Os alunos ouvem falar do macaco, do avestruz. Hoje foi o dia de saberem como são esses animais. Eles puderam conhecer coisas novas, uma nova cidade. O contato com os profissionais do zoo ajuda na percepção tátil e auditiva, ou seja, ele aprende a conhecer, de forma mais global, as particularidades que não são possíveis de ensinar em sala de aula”, explica a psicóloga educacional Olga Alvarenga. “A sociedade ainda não aprendeu a lidar com esses alunos portadores de necessidades especiais”, finaliza.

Acostumado a lidar com milhares de visitantes todos os dias, o tratador da Casa de Répteis, Paulo Emídio, se emocionou com a presença das crianças. “Quem tem tudo que a vida pode dar, que enxerga, não valoriza isso. Apenas finge que sabe viver. Essas crianças que a sociedade chama de cegas, aleijadas, enxergam muito mais do que a gente. Eles sabem valorizar a própria vida”, analisa. “Aqui entre os répteis, eles aprenderam que as cobras não são piores nem melhores que outros animais. As pessoas têm cisma disso”, diz.
Toda a visita da criançada foi acompanhada por uma equipe do Cemae e da FZB-BH, comandada pela bióloga e educadora Rizzia Botelho. “Nossa proposta foi ampliar o que os meninos aprendem dentro das paredes da sala de aula. Foi uma forma de incentivá-los a sair da privacidade que a sociedade muitas vezes impõe para a vida delas, somente pelo fato de terem necessidades especiais”.

15 de novembro de 2011

Sétimo Festival Internacional de Quadrinhos

Carol Lages






Serraria Souza Pinto (MG), tomada por histórias em quadrinhos









Em bancas e livrarias podem ser encontradas muitas histórias em quadrinhos. Há histórias para todos os gostos: super-heróis, aventura, terror, amor e também podem ser encontrados os famosos mangás japoneses. São tantos que fica até difícil de escolher.


Foi assim no meio de tantas histórias em quadrinhos que foi realizado o 7º Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), entre os dias 9 e 13 de novembro no Espaço Cultural Serraria Souza Pinto. O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.


O FIQ acontece a cada dois anos e sempre homenageia um artista e um país. Em 2011, o artista escolhido foi o criador da Turma da Mônica, Mauricio de Souza, e o país é a Coréia do Sul, país que vem aumentando a produção de manhwás – como são chamados os quadrinhos no país – nos últimos anos.


O festival trouxe a Belo Horizonte 69 artistas convidados, sendo que muitos desses vêm de outros países como: Estados Unidos, Coréia do Sul, França, Argentina e Espanha com destaques para Fábio Moon, Gabriel Bá, Jill Thompson, Mauricio de Sousa, Horacio Altuna e Lélis que são artistas importantes para os quadrinhos e que estão reunidos interagindo com o público, em um único lugar.


O festival também proporciona mais de 40 oficinas para profissionais dos quadrinhos ou iniciantes. Andando pelos corredores cercados de quadrinhos é possível ver muitas crianças acompanhadas por seus pais. Curiosas, elas perguntaram sobre tudo que cerca o mundo dos quadrinhos.


Uma dessas crianças é Guilhermes Souza, de apenas quatro anos, que diz gostar muito de quadrinhos e com um sorriso tira uma revista da Turma da Mônica de um saquinho. A mãe de Guilherme, Paula Souza, completa dizendo “Ele já me fez ler um monte de gibis pra ele antes de dormir.

Quer conferir mais o que rolou no FIQ 2011? Basta clicar : http://fiqbh.com.br/

On-line: carentes buscam e realizam na internet suas principais fantasias sexuais

Quando o sexo sai da cama para o computador

Laura Lima e Samuel Costa

Em vez da pele, o toque é só no telado. O orgasmo vem por meio de gigabytes, mediado pela interface do computador. Na última década, algumas pessoas deixaram de procurar pretendentes em bares ou boates. É acessando o PC nas salas de bate-papo virtuais que elas satisfazem seus instintos primitivos.

A psicoterapeuta da Faculdade Pitágoras, Ísis de Leon, afirma que a solidão é o que mais atrai as pessoas para o mundo virtual. E atraí pessoas de diferentes faixas etárias. “Enquanto os adolescentes buscam liberar seus hormônios e saciar suas curiosidades sexuais, jovens adultos e homens e mulheres da terceira idade buscam sentir-se desejados e realizar suas fantasias, sem se preocupar com as exigências de um relacionamento sério”, afirmou.

Mas o meio virtual pode ajudar namorados separados pela distância física. Nessa situação, a Internet, de acordo com a psicóloga, literalmente pode dar um upgrade na relação. Os casais acabam por adaptar-se a esse meio – evoluídas por tecnologias como a realidade virtual - que permite o uso de quase todos os sentidos o que deixa o sexo cibernético mais prazeroso. Sem o contato físico com o parceiro (a), na rede os amantes usam de palavras e gestos para se excitar em um verdadeiro jogo de sensualidade.

Ainda conforme a psicóloga, muitas pessoas não acreditam no sexo sem a química do olho no olho, do toque quente e macio das mãos e do roçar incessante dos corpos. “O sexo nada mais é do que uma forma de masturbação, que vêem se aperfeiçoando e criando uma espécie de arte de conquistar o outro pela sexualidade”, explicou.

Pessoas casadas também procuram essa prática. “Muitas vezes isso ocorre pela vontade inicial de um dos parceiros, o outro acaba aderindo essa prática apenas para agradar o companheiro. Em outros casos ambos já possuem essa fantasia, varia muito de casal para casal“, diz Ísis.

No entanto, algumas pessoas casadas adotam o sexo virtual, como um meio de “fugir do casamento”, não considerando tal ato como “pular a cerca”. Porém, quando descoberto, esse ato pode provocar o ciúme do parceiro na vida real. “Ainda não há um estudo que comprove se esse tipo de relacionamento sexual pode ou não ser classificado como traição”, afirmou.

Seja casado, solteiro, homossexual, etc, as salas de bate-papo, de acordo com a psicóloga, oferecem aos seus usuários a oportunidade de ser o que quiserem e de colocar em prática fantasias que, às vezes, nem sabiam possuir.

“Freud, o pai da psicanálise, no século XIX, dizia que as fantasias sexuais deveriam ser abandonadas para que a energia sexual pudesse impulsionar o sucesso pessoal em outras áreas; hoje, a web se tornou palco de realização de fantasias sexuais”, disse.

Na vida real, cibersexo pode se tornar cilada
O sexo virtual pode se tornar uma armadilha perigosa. O alerta é do inspetor Robson Tadeu, da 1ª Delegacia de Crimes Cibernéticos de Belo Horizonte (DCCBH). A prática, todos os meses, faz pelo menos 90 vítimas de crimes como calúnia, injúria e difamação.

Para evitar tais situações, o policial aconselha os freqüentadores dos sites de sexo virtual a não passar informações pessoais, financeiras e evitar exposições desnecessárias para seus parceiros, como ficar nu em frente à webcam. “Quem está mal intencionado, com certeza, vai filmar ou fotografar o que o outro faz para chantageá-lo”, afirmou.

E se a idéia é tornar o relacionamento virtual em real, o inspetor aconselha a tentar conhecer bem os parceiros, não os levando para casa. “Quem se encontra com pessoas desconhecidas está exposto a esses crimes. Não passem dados como telefone, endereço, e, principalmente, dados financeiros. Há casos de pessoas que usam o meio para roubar ou até para matar mesmo”, esclareceu.


Crimes e sexo bizarro

1- O ex-fuzileiro, Thomas Montgomery, 45, matou o colega de trabalho Brian, 22. O estagiário se tornou um rival disputando com Montgomery Jessi, uma adolescente de 17 anos, amante virtual de ambos.
2- A secretária Janinha de Freitas, 37, pode ter sido assassinada pelo paulista, Danilo Emerson Fernandes, 29, que conheceu no Orkut. Encantada com o jeito romântico do rapaz ela o convidou a conhecer Montes Claros, Norte de Minas, cidade onde morava. Foi roubada, estuprada e morta. Ele está preso e aguarda julgamento. (Mesmo que ele tenha confessado, não o chame de assassino)
3- O alemão Amim Melwes divulgou pela web seu desejo de, literalmente, cozinhar e comer um pênis. Bernad Jurgem Armando Brandes se ofereceu para realizar essa fantasia. Depois de cortado, ambos degustaram a exótica iguaria. Mas Melwes decidiu radicalizar a experiência. Matou Brandes, cuja carne se alimentou por alguns meses.