| Visão geral da região central de BH. Por Monique França. |
O setor da construção civil em Belo Horizonte bateu recordes nesse primeiro semestre de 2011. O principal motivo não é somente o aumento na valorização dos imóveis, mas principalmente a economia do País e da capital mineira que vai muito bem, obrigada. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG), o preço médio de venda dos imóveis do tipo residencial em Belo Horizonte apresentou, em junho de 2011, uma elevação de 1,90% em relação ao mês anterior.
De acordo com profissionais do ramo imobiliário, o mercado mineiro se encontra em um momento de patamar de estabilização. Após um crescimento vertiginoso na valorização dos imóveis a tendência é que os preços permaneçam por hora estabilizados, mas continuem subindo de forma moderada e consistente.
A diretora de vendas da imobiliária Silvio Ximenes, Cássia Ximenes, afirma que há mercado para todos os públicos e que com a facilidade atual na aprovação de créditos aumentam-se as chances de mais pessoas adquirirem seu imóvel. “O aquecimento da construção civil abrange todos os níveis de imóveis, desde os populares até os de luxo, e existem linhas de crédito para todos os perfis de clientes, com financiamentos que podem chegar a 30 anos.”
A região centro-sul de Belo Horizonte continua sendo a mais valorizada, acompanhada de perto pela Pampulha, Barreiro e arredores da Avenida Cristiano Machado. Segundo o diretor-presidente da empresa LAR Imóveis, Luiz Antônio Rodrigues, essas regiões estão sendo mais procuradas pela classe C. Incentivada por programas do governo, essa parcela da população busca apartamentos e casas geminadas, de dois ou três quartos e com padrão construtivo de boa qualidade. Dependendo do bairro, os imóveis custam entre R$ 90 mil e 180 mil reais.
Maior procura que oferta
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| Jorge Luiz Oliveira de Almeida, diretor de comunicação do Sinduscon-MG. Foto cedida pela assessoria de imprensa do Sinduscon-MG |
Mas nem tudo são flores, ou melhor, canteiros de obras. Se o aumento do poder de compra da classe C, aliado a programas habitacionais, elevou a procura e a crescente valorização dos imóveis, houve uma queda de 23,35% no número de apartamentos ofertados, segundo pesquisa da Fundação Ipead/UFMG, publicada em junho de 2011.
“O número de imóveis disponíveis a cada ano para a compra em Belo Horizonte não atende a demanda”, diz o diretor de comunicação do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Jorge Luiz Oliveira de Almeida. “Durante anos, não tivemos planos de habitação no país. Mas a tendência é que o mercado continue crescendo muito nos próximos anos”, completa.
Segundo Jorge Luiz, o primeiro grande problema que as empresas de construção civil enfrentam é a falta de terrenos disponíveis para a realização de obras e os que existem são muito caros. O segundo é a carência de mão de obra. Apesar disso, os investimentos no setor da construção crescem constantemente, principalmente em imóveis que estão na faixa de preço do programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal. Especificamente em Belo Horizonte, esse valor circula entre R$ 100 mil e 150 mil reais.
Cuidados na hora de adquirir o imóvel
Quem pensa em adquirir um imóvel precisa tomar uma série de cuidados antes de concretizar a compra. Quem alerta é a coordenadora geral do Procon–BH, Laura Maria Santos. “Verificar se a empresa está no Cadastro de Reclamações Fundamentadas do Procon e se há ações de cobrança contra a construtora no site do Tribunal de Justiça (www.tjmg.gov.br), se o CNPJ da empresa está inscrito regularmente na Receita Federal e ler atentamente os contratos, se possível com o auxílio de um advogado, são algumas das medidas fundamentais para que o comprador tenha mais segurança”, diz. “São muitas as reclamações recebidas pelo Procon. Só em 2010 foram 1678, a maioria por descumprimento do prazo de entrega do imóvel”, completa.
O consumidor que se sentir prejudicado poderá fazer uma reclamação no Procon para a rescisão de contrato, com a devolução de quantias já pagas ou a entrega do imóvel. No caso de recebimento de indenizações e cobrança de multas, a maneira de solucionar o caso é somente com as devidas ações judiciais.
Aumenta a oferta de cursos na área da construção civil
O Sinduscon – MG em parceria com a Fiemg/Senai-MG, oferece cursos de pedreiro de alvenaria, pedreiro de acabamento, armador de ferros e carpinteiro de fôrmas, capacitando profissionais que trabalham em empresas de construção associadas ao sindicato, para que estes sejam multiplicadores no próprio canteiro de obras.
O Sinduscon-MG tem ainda outros dois projetos nesse sentido. O “Programa de Requalificação de Mão de Obra”, em parceria com a universidade Fumec, cujo objetivo é requalificar os profissionais que atuam na área e dar oportunidade de crescimento profissional. E o projeto “Usina da Construção” em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese-MG), que consiste em viabilizar a capacitação profissional para atender a demanda do setor. Este último é aberto para quem ainda não trabalha na área e o piso salarial desses profissionais vai de R$ 605,00 a 926,20 reais. Os interessados devem entrar em contato com a Associação Preparatória de Cidadãos do Amanhã (Aprecia), por meio do telefone (31) 3454-1585, ou pelo site www.aprecia.org.br.

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