18 de novembro de 2011

A Fuga de Cupim

Lino Ramos

O dia amanheceu prometendo, naquele domingo de primavera, garantia de mais um plantão normal no Zoológico de Belo Horizonte, assim como havia sido no dia anterior. Extraordinariamente, a auxiliar administrativa Polyana Evangelista trabalharia em dois plantões consecutivos. Uma colega, escalada para aquele domingo, avisou que não poderia trabalhar, por estar doente. Pollyana se colocou à disposição para cobrir a falta. Nada de estranho para quem estava no trabalho há apenas seis meses, além do mais, a solidariedade lhe renderia um plus no banco de horas.

O dia tinha sido lindo. O plantão tranqüilo, mesmo com pedestres e automóveis batendo o recorde de visitação. As 6 horas da tarde se aproximavam, horário que todo plantonista anseia por preencher o relatório do dia e ir embora. Foi quando Polyana ouviu no radiocomunicador a informação de que Cupim havia fugido. "Demorei para entender o que estava acontecendo. Afinal, quem iria se preocupar com a fuga de um cupim?". Quando a ficha caiu, veio o pânico. "De repente me lembrei que Cupim era o apelido de uma das girafas", lembra, disparando em gargalhadas.

"Na realidade, não acreditei que aquilo estava acontecendo. Justo comigo, que estava em fase de adaptação no primeiro emprego? Tive que me transformar na maior autoridade da empresa naquele instante". Polyana nunca havia presenciado uma fuga de animal. Nem seu papagaio, Louro, havia fugido do quintal de sua casa. A jovem, contudo, tomou coragem e ordenou que os portões fossem fechados, certificando-se de que, de acordo com os vigilantes, era mínimo o número de visitantes naquele momento.

Polyana telefonou, então, para o diretor do Zoológico e se perguntou sobre as medidas tradicionais que deveriam ser tomadas em situações como aquela. O objetivo, claro, era reconduzir Cupim ao seu recinto. O diretor informou que o animal deveria ser atraído com capim para uma casinha existente nas imediações do recinto dos hipopótamos, e deixá-lo preso lá uma vez que a girafa havia quebrado o mourão da cerca de seu reduto e, naquelas condições, não seria seguro mantê-lo lá.

Mas que tarefa ingrata! A girafa era esperta. Polyana, ciente da responsabilidade de quem estava na coordenação dos trabalhos, instruiu os vigilantes para que oferecessem capim fresco a Cupim. O resultado, lamentavelmente, não foi o esperado. O jeito então foi colocar a mão massa. Ela instigou a girafa com o molhe de capim, mas ela nem se mexia. Imprudentemente, a jovem abandonou as instruções recebidas e partiu para iniciativa. "Optei por tocar a girafa como se ela fosse uma simples vaca, mas foi em vão. Quando percebemos, ela corria em disparada atrás de nós. E que pernas compridas!". O cuidado era extremo, pois dada a proximidade, a girafa poderia pisoteá-los.

Cupim se cansou e, depois de muito pelejar, foi quase que sozinho para seu canto. Polyana ordenou que fechassem o portão da casa para impedir que ele saísse novamente. Como era impossível a manutenção da cerca, naquela noite Cupim passou trancado. "Tudo terminou bem. Conseguimos prendê-lo antes que o sol se despedisse daquele domingo", lembra Polyana, recordando-se de um dos momentos mais emocionantes de sua vida.

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