3 de novembro de 2011

"Saidinha de banco"
Duas pessoas são assaltadas por dia

Crime é mais comum no centro e na região Noroeste de BH

Saulo Martins

Todos os dias, pelo menos duas pessoas são assaltadas após sacar quantias em dinheiro em bancos de Belo Horizonte. Só no ano passado foram 840 ocorrências desse tipo de crime que foi apelidado de “saidinha de banco”. Os dados foram apresentados pela assessora de comunicação do Comando de Policiamento da Capital (CPC), tenente Débora Santos.

Os números também revelam que metade dos casos ocorreu em agências que estão localizadas na região Centro-Sul e Noroeste da cidade. A PM esclarece, no entanto, que existe um grande número de agências bancárias nessas regiões, com grande concentração de pessoas e alta movimentação de valores. “Quando percebemos o aumento desse tipo de crime, em maio de 2010, reforçamos nossas ações de prevenção e combate. Disponibilizamos, inclusive, uma quantidade maior de policiais para atuarem nas imediações dessas agências. Também trabalhamos com a identificação dos suspeitos”.


O vídeo abaixo postado no portal R7 (http://www.r7.com/) mostra um bandido roubando 65 mil reais



Apesar dos avanços, a tenente afirma que não é muito fácil combater a esse tipo de crime. Ela explica que as vítimas são identificadas pelos criminosos dentro das agências, mas, o crime, em alguns casos, acontece à quilômetros de onde o dinheiro foi sacado, impossibilitando a ação do policiamento.

Duas leis já foram criadas para tentar impedir a ocorrência dos assaltos a clientes bancários. Uma no âmbito estadual e outra no municipal. O principal ponto tratado na legislação é a proibição do uso de celulares nos bancos. Contudo, conforme os dados estatísticos da Polícia Militar, a média de ocorrências do tipo em Belo Horizonte se mantém em 70 por mês em 2011, mesma média de 2010. A corporação informa que o montante acumulado com os roubos neste ano podem chegar a R$ 8 milhões. Além disso, três clientes foram assassinados nos últimos 16 meses na capital.

O coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG (CRISP), Róbson Sávio, afirma que é necessário adotar medidas mais eficazes para impedir esse tipo de ação criminosa. Segundo ele, as pessoas devem encontrar alternativas próprias para evitar os assaltos. Robson ressalta ainda a falta de planejamento e políticas públicas para combater essas ações.

“A lei pode dificultar a comunicação da quadrilha, mas eles inventam outras formas de fazer contato uns com os outros. Essa é a dinâmica do crime nas grandes cidades, sempre adaptando-se às ações do polícia. A única maneira de coibir essa prática é identificando os elementos, a forma que atuam e onde praticam crimes. Para isso, a investigação apurada se torna a principal arma para proteger os cidadãos desses crimes”, diz ele.

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