Foto: Fábio Márcio
Estudantes da Estácio-BH
Fábio Márcio
Com o aumento do número de alunos em cursos superiores, aumenta também a demanda por estágios, primeiro passo rumo a uma vaga no mercado de trabalho.
Antes considerado um luxo para poucos privilegiados, cursar uma faculdade tornou-se um objetivo fácil de ser alcançado por uma grande parcela da população brasileira. Graças ao aumento das faculdades públicas e privadas, o advento do ensino à distância e inúmeros programas de financiamento estudantil, cresceu exponencialmente o número de estudantes em cursos superiores.
Esses questionamentos são comuns na cabeça dos universitários, estando perto ou não a data da formatura. Principalmente para aqueles que irão encarar o desafio pela primeira vez. Afinal, a caminhada para garantir espaço no mercado de trabalho começa exatamente pelo estágio. Mas, afinal, como ele deve ser encarado pelos estudantes?
“O estagiário precisa saber que ele está ali para aprender. O momento é de aprendizado, ele não deve exigir muito de si mesmo. Até porque, ainda não se formou”, explica a psicóloga Joseane Correia dos Santos. Responsável pela área de recursos humanos da agência Nortear, Joseane ressalta a importância do estágio. “Ele é fundamental na hora de abrir portas para o estudante”.
Procurado pelos estudantes a partir da metade do curso, o estágio pode acabar se tornando uma ponte rápida para o primeiro emprego. Muitas empresas preferem contratar profissionais que já estagiaram em suas fileiras. É o que garante o gerente de comunicação do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), Mauro de Oliveira. “A efetivação é natural, até pelo empenho dos estagiários. Eles chegam cheios de ideias. Quando as empresas os ajudam a colocá-las em prática, eles se sentem motivados, aumentando sua produção”, afirma.
Como conseguir uma vaga?

Foto Fábio Márcio
Alunos do curso de gastronomia da Estácio-BH
Algumas regras são fundamentais para que o candidato à vaga consiga seu estágio. “Pontualidade é indispensável. Se o candidato chega atrasado para a entrevista, ele dificilmente será contratado”, diz Joseane. “O estágio deve ser encarado como um alicerce para a carreira do universitário. Se ele não demonstrar seriedade, não terá espaço no mercado”, completa.
Embora o conhecimento de línguas estrangeiras seja um ponto forte no currículo de qualquer profissional, saber bem o português é ainda mais importante. “Muitos candidatos desconhecem a própria língua. Ainda pior é ver o candidato usando a linguagem que usa na internet, trocando casa por ksa e você por vc”, diz Mauro Oliveira.
A indecisão sobre qual faculdade cursar também incide na contratação de estagiários. “Muitos candidatos não têm sequer a certeza se estão fazendo o curso certo, adequado para eles. Muitos conseguem uma vaga no estágio, mas acabam por abandoná-lo três ou quatro dias depois”, lamenta Joseane. Para a psicóloga, programas de bolsas de estudo, como o ProUni (Programa Universidade para Todos), do Governo Federal, influencia na evasão. “Muitos jovens estão na faculdade somente pela bolsa, mas não sabem ao certo o que querem estudar”.
A bolsa oferecida pelas empresas para o estagiário também é decisiva para a escolha do candidato. Muitos acabam optando por não estagiar diante do valor oferecido. “É um erro comum dos estudantes. É preciso entender que não é possível exigir salários altos. Eles são profissionais ainda em formação, não estão 100% prontos”, afirma o supervisor do CSAT (Centro de Solidariedade e Apoio ao Trabalhador), Júlio César da Silva. De acordo com o CSAT, a média das bolsas oferecidas gira em torno de R$ 600,00.

Foto Fábio Márcio
Centro de Apoiso e Solidariedade ao Trabalhador (CSAT)
A oferta por estágios tem aumentado a cada ano, mas alguns cursos seguem líderes nesse sentido. De acordo com o Nube, que emprega três mil estagiários por ano, 42% das vagas são para a área administrativa, 24% para comunicação social e 8% para informática. Apesar do domínio, setores de engenharia têm ganhado força nos últimos anos, chegando hoje a 5%.
Opinião dos estudantes
Estudante do curso de comunicação social da PUC-BH, Rebeca Penido já conseguiu espaço em uma das principais empresas de seu ramo. Estagiária no jornal SuperNotícia, a futura jornalista diz não ter tido dificuldade para conquistar a vaga.”Fui monitora no laboratório da faculdade, isso contou como experiência no meu currículo. Foi preciso apenas passar por uma prova de conhecimentos gerais para ser chamada”, conta.
Apesar de ocupar uma vaga almejada por muitos colegas de faculdade, Rebeca alerta para a necessidade do estudante procurar sempre aumentar suas qualificações. “Preciso adquirir experiência com produção e edição de conteúdo multimídia. Na minha profissão, é fundamental”, diz a jovem de 21 anos, que pensa em cursar Cinema logo que concluir o curso de jornalismo, para completar sua formação.
Quem também já conseguiu seu espaço em um estágio é o estudante de gastronomia da Faculdade Estácio de Sá, Wedson Márcio Silva. Trabalhando em um restaurante, ele lamenta que a faculdade estimule pouco o trabalho prático dos alunos. “Seria importante se tivéssemos um restaurante de verdade à disposição. Isso nos faria sentir melhor a pressão do que é nosso trabalho, coisa que só fui entender de verdade quando comecei a estagiar”.
Apesar do aumento de vagas de estágio dos últimos anos, ainda existem aqueles que tentam, mas não conseguem estagiar. É o caso do estudante de administração com ênfase em recursos humanos, Walisson Souza. Perto de se formar, ele culpa a “concorrência muito grande” por não ter conseguido uma vaga. “Não me arrependo por ter escolhido um curso tão concorrido, mas penso em fazer outra coisa. Talvez ciência da computação”, diz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário