20 de novembro de 2011

A Copa vem aí. Belo Horizonte está pronta?

Como empresas e entidades estão se preparando para receber a Copa do Mundo, que chegará à capital mineira trazendo uma revolução na economia e no comportamento da sociedade

Edward Martins Magalhães


Belo Horizonte está contando os minutos para o início da Copa do Mundo. Desde que a capital mineira foi anunciada como uma das sedes da competição, o maior evento do esporte no Planeta, todos na cidade só pensam em como serão os jogos por aqui.

O Mineirão, grande palco dos jogos na cidade, tem sua reforma andando a passos largos. É o único estádio cujo andamento das obras está dentro do cronograma enviado à FIFA, entidade que rege o futebol. O Independência também está sendo revitalizado e será utilizado pelas seleções para treinos, assim como os Centros de Treinamento de Atlético, Cruzeiro e América, considerados como uns dos melhores do Brasil.

Se em alguns aspectos Belo Horizonte está pronta para receber a Copa do Mundo, em outros, contudo, a capital deixa a desejar. Alguns setores, que terão enorme visibilidade durante a competição, ainda estão iniciando seus projetos voltados para o campeonato. Os planos ainda estão no papel, o que pode acarretar sérios prejuízos. Não apenas financeiros, mas institucionais.

De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o instituto Ernest Young, há a estimativa que Belo Horizonte atraia R$ 33 bilhões em investimentos diretos. O levantamento releva que a capital oferece 699 possibilidades de negócios a serem exploradas por nove setores da economia. Desse montante, 20% serão abocanhados por micro e pequenas empresas.

“É uma oportunidade de ouro, mas quem não se preparar certamente ficará fora do mercado. Não apenas da Copa do Mundo, mas de tudo que vier a reboque dela”, afirma o gerente da área de serviços do Sebrae, Vinícius Lages. Até porque, companhias de outros estados sabem a importância de Belo Horizonte no evento. “As empresas de fora querem vir pra cá”, diz o pesquisador da FGV, Roberto Pascarella, que no começo de agosto ministrou uma palestra sobre oportunidades de negócios na prefeitura da capital.

Táxis ainda sem planejamento definido

Um dos setores que terá maior aumento na procura durante a Copa do Mundo é o dos táxis. No entanto, os projetos de capacitação dos motoristas, que inclui o ensino de um segundo idioma, além na melhora da frota, ainda não foram concretizados. A perspectiva é que só comecem a ser implementados a partir de 2012.

Segundo a assessoria de imprensa do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas e Transportadores Rodoviários (Sincavir), haverá uma parceria com a Belotur na criação de um curso específico de indicações turísticas, além da possibilidade de parcerias com escolas de idiomas para ofertar aos motoristas cursos de inglês e espanhol a preços reduzidos, mas não há data prevista para o início dos projetos.
A Coopertaxi, cooperativa que abriga cerca de 400 táxis na capital, marcou para o ano que vem o início de cursos de inglês e espanhol para seus filiados. “A capacitação de nossos profissionais não se dá pensando apenas na Copa do Mundo, mas já na Copa das Confederações, que será disputada em 2013”, diz o diretor financeiro da empresa, Arthur Alves Barbosa. “Belo Horizonte terá um aumento na ordem de 70% nas corridas de táxi durante o Mundial. Não podemos perder essa oportunidade”, completa.

Hotéis, bares e restaurantes seguem estagnados

Um dos principais problemas que Belo Horizonte enfrenta na luta para receber a contento a Copa do Mundo é a baixa capacidade de sua rede hoteleira, que dispõe de poucos quartos e somente um estabelecimento considerado de alto padrão. Há projetos de construção de pelo menos 25 novos hotéis, entre estes cinco de luxo.

No entanto, pouco se vê no que diz respeito à capacitação dos funcionários do setor para receber um número volumoso de turistas. No site do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte (SindHorb), não há menção de nenhum curso voltado para os empregados e colaboradores. Há mais destaque para sorteios de TVs de LCD para sócios com pagamento em dia que para a Copa do Mundo. Procurada pela Belohorizontinos, a assessoria de imprensa do sindicato preferiu não se manifestar a respeito da reportagem.

Polícia Militar traça estratégias para a Copa

Se alguns nichos empresariais não estão dando a devida consideração para a Copa do Mundo, o mesmo não se pode dizer de outros setores, que não serão atingidos financeiramente pelo evento, mas cuja atuação pode gerar lucros ou prejuízos no ponto de vista institucional.

Ciente da importância que tem para o bom desenvolvimento do torneio em Belo Horizonte, a Polícia Militar de Minas Gerais tem trabalhado visando a melhor preparação possível para seus membros. Em março deste ano, a entidade promoveu um encontro, na Cidade Administrativa, para discutir atribuições de responsabilidade da corporação durante a Copa.

“O encontro visou estabelecer discussões em torno de todas as temáticas das atribuições da PMMG, objetivando nortear o processo de planejamento e formulação das macroestratégias da instituição para a Copa de 2014”, afirma o assessor estratégico para a Copa, Cel. Bettoni.
Um dos pontos onde a PMMG será mais testada é no controle do trânsito, que é feito em conjunto com a BHTrans. Para isso, o Batalhão de Trânsito da instituição sabe que é preciso melhorar a qualidade no atendimento, com a preparação de seus profissionais e adquirindo novos equipamentos. “O sucesso dessa empreitada passa também pela dedicação e competência do policial militar, que é testado 365 dias por ano em nossas ruas e avenidas”, diz o comandante da 1º Região da PMMG,Cel. José Geraldo de Azevedo Lima.

Investimento no segundo idioma

Embora muitas das empresas ainda não tenham se conscientizado da importância que a Copa do Mundo terá na economia de Belo Horizonte e de todo o Estado, os profissionais estão atentos nesse sentido e buscam, de maneira isolada, aprimorar seus conhecimentos de olho em maiores oportunidades durante o evento.
Prova disso é a maior procura em aprender um segundo idioma, fundamental para quem vai lidar com milhares de turistas estrangeiros durante a competição. E, claro, o inglês é o carro-chefe nesse sentido. Embora o espanhol tenha tido um crescimento notável nos últimos anos, a língua inglesa ainda é a mais procurada por quem deseja se tornar bilíngue.

Focado no aumento da procura, a rede Cultura Inglesa, fundada em Belo Horizonte em 1941 e que conta com 13 unidades na capital, tem trabalhado visando atender alunos cujo foco é exatamente a competição. “Criamos um curso específico, chamado Profesional English, desenvolvido exclusivamente para o público que trabalha com comércio e serviços. Seu foco principal é na comunicação oral, mas também oferece ao aluno a oportunidade de obter informações culturais sobre diferentes países, como comportamento, etiqueta e linguagem corporal, para que ele saiba lidar com as peculiaridades de cada cultura”, afirma a assessora de imprensa da rede, Iane Chaves.
De acordo com Iane, o aumento na procura por cursos de inglês teve um aumento considerável no último ano. A assessora, contudo, alerta para a importância do aluno dar continuidade ao aprendizado. “É muito importante que as pessoas entendam que a Copa do Mundo deve ser usada como fonte motivadora, mas que o objetivo maior deve ser ampliar cada vez mais o conhecimento do idioma para as consequências pós-evento, como a intensificação do turismo no Brasil e em Belo Horizonte”, diz.

Sebrae promove cursos de capacitação

Quem também está trabalhando maciçamente em novos cursos para a população é o Sebrae. O órgão planeja investir, até 2013, R$ 3 milhões na capacitação de micro e pequenas empresas não apenas da capital, mas de toda a região metropolitana. Dentre os cursos, destacam-se os de atendimento ao cliente, marketing e técnicas de vendas.

Outro curso que chama a atenção é o de mercado de souvenirs, cuja meta é expandir a produção e a comercialização das peças em 45% até 2014. Alguns empreendedores da Feira de Produtores do bairro Cidade Nova, região Nordeste de Belo Horizonte, já estão sendo capacitados. “Após o primeiro curso, pude notar um aumento de 30% nas minhas vendas”, comemora o comerciante Alonso Barbosa Jorge.

O exemplo de Alonso deve ser seguido. Não apenas por pequenos empresários, mas por todos aqueles que desejam expandir seus negócios e vislumbrar lucro antes, durante e depois da Copa do Mundo. Ninguém tem ideia de quando um evento desse porte retornará a Belo Horizonte. Perder as chances que ele propicia será fruto de muita insatisfação para aqueles que militam em qualquer ramo, qualquer segmento.

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