Por Solange Baker
Como anda a saúde em BH...
Enquanto Belo Horizonte investe 743,4 milhões de reais na reforma do Estádio do Mineirão, como um dos principais preparativos para a Copa de 2014, a capital enfrenta um grave problema na rede de saúde pública. De acordo com dados da Secretária Municipal de Saúde (SMSA), existem 478 especialistas para atender 78 especialidades. Tal dado revela que há seis especialistas para cada especialidade. Número insuficiente para atender os mais de 2.262.128 bilhões de pessoas, espalhadas em nove regionais na capital.
Para atender as demandas, a Prefeitura de Belo Horizonte criou os Centros de Especialidades Médicas (CEM), que centralizam as consultas das nove regionais. Os usuários entram em uma fila e são cadastrados no sistema de regulação interno do Ministério da Saúde (SISREG). Todos os pacientes de Belo Horizonte são encaixados de acordo com a especialidade, o que gera um
número de fila por ordem de chegada, e, de acordo com as vagas que vão surgindo, eles são atendidos. Como exemplo, já são em torno de 15.000 pessoas só na fila da urologia.

Segundo Dr. Ari Caldeira Correa, médico da rede municipal da Regional Noroeste, para algumas especialidades a demanda é bem maior do que outras, como a angiologia, que, só nesta regional, possui mais de 100 pessoas na fila para o atendimento. As especialidades mais demoradas na realização do atendimento na regional Noroeste são: angiologia, cardiologia, otorrinolaringologia, urologia, neurologista. Dr. Ari Caldeira enfatiza que o número de angiologista atualmente na rede municipal é apenas de oito médicos para atender toda a capital. “A prefeitura investe, mas está longe de ser o ideal”.
Os médicos especialistas da Prefeitura de Belo Horizonte tem o salário base de 2.848,45 por 20 horas semanais, ou seja, 35,6 reais por consulta. Comparando com o que se gasta em um salão de beleza, uma manicure cobra 25 reais para fazer pé e mão, e ainda com uma escovação, que dependendo do tamanho, seria mais 30 reais, um total de 55 reais, mais que um cardiologista da rede pública ganha por consulta, por exemplo.
Eurranes Souza Roberto, 30 anos, está cursando o 5º período de jornalismo. Fazendo uso constante do computador como sua principal ferramenta de trabalho, nos últimos meses vem apresentando uma irritabilidade e vermelhidão nos olhos. Ele procurou o Centro de Saúde São Cristóvão, no bairro onde mora, em meados de agosto deste ano. Foi orientado pelo médico, da
necessidade de consultar com um oftalmologista, e, desde então recebeu um encaminhamento e entrou na fila para aguardar a consulta especializada.
“Hoje, se eu pudesse pagar uma consulta, seria o que faria, pois tenho medo de perder a visão cedo”. Declarou Eurranes, indignado com a demora na rede pública.
No último dia 16 de setembro, Eurranes procurou a Promotoria do Ministério Público da Secretaria de Saúde para expor seu caso, e ainda assim foi informado que não há um prazo determinado para a concretização de seu atendimento.
O caso de Eurranes, infelizmente não é o único. Glória Lacerda, 59 anos, moradora do Bairro Vale do Jatobá, sofre há dois anos e oito meses com uma Úlcera Varicosa na perna esquerda. Ela faz acompanhamento no Centro de Especialidades Médicas (CEM) do barreiro, com o dermatologista, angiologista e cardiologista. No dia da entrevista, 23/9, ela já estava a mais de dois meses esperando a consulta com o cardiologista. “Ele passa os remédios e agora vamos
ver como estão reagindo”. Sua ferida está aberta e duas vezes por semana precisa trocar o curativo, procedimento realizado no Hospital Júlia Kubitscheck. Todo este trajeto é feito de ônibus.
necessidade de consultar com um oftalmologista, e, desde então recebeu um encaminhamento e entrou na fila para aguardar a consulta especializada.
No último dia 16 de setembro, Eurranes procurou a Promotoria do Ministério Público da Secretaria de Saúde para expor seu caso, e ainda assim foi informado que não há um prazo determinado para a concretização de seu atendimento.
ver como estão reagindo”. Sua ferida está aberta e duas vezes por semana precisa trocar o curativo, procedimento realizado no Hospital Júlia Kubitscheck. Todo este trajeto é feito de ônibus.
Glória mostra a perna enfaixada enquanto relata que trabalhava como passadeira de roupa, e, por ficar o dia todo em pé, acabou tendo um agravamento em seu caso. A guia para a cirurgia já está em suas mãos, e, além de precisar de paciência enquanto aguarda a cicatrização da ferida, ainda vai enfrentar, nos próximos meses, uma fila para conseguir fazer a cirurgia, “Para esse ano o médico me avisou que não sai.”
Segundo a SMSA, existe um déficit de médicos em algumas especialidades: urologia(3), Angiologia(2), Neurologia(3), Endocrinologia(2), Ortopedia Especializada em coluna(2) Ortopedia geral(4). Para tentar amenizar, dia nove de agosto, a SMSA publicou o Edital 02/2011, que prevê a contratação, por concurso público, de 1.520 profissionais, entre médicos, dentistas e técnicos de saúde, com a intenção de amenizar as filas de espera em toda a capital.
Mas, e os investimentos na saúde para a copa?
Mas, e os investimentos na saúde para a copa?
A Prefeitura de Belo Horizonte, através de Raquel Bernardes, da Assessoria do Comitê Executivo Municipal da Copa, informou que nos dias 12 e 13 de setembro aconteceu em Belo Horizonte o curso Princípios de Medicina de Catástrofe, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Haverá um plano de contingência para atendimento a múltiplas vítimas. Esse plano irá preparar a cidade para possíveis catástrofes que demandem atuação conjunta de diversos profissionais, desde os primeiros-socorros e a triagem no ambiente pré-hospitalar, até o atendimento hospitalar.
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