3 de novembro de 2011

Perfil: Rainha da Sucata



Camila dos Anjos

Cabelo preso, chinelo, roupas desgastadas, magra, sem maquiagem e o rosto manchado pelo sol. Olhando depressa para essa mulher, você provavelmente não irá notar a sua dedicação, responsabilidade e felicidade.
Essa aparência, que pode assustar muitas pessoas, esconde uma mãe batalhadora, que trabalha duro para sustentar seus seis filhos e não tem medo do trabalho árduo. Selma dos Reis, 37 anos seguiu os passos da mãe, também catadora de materiais recicláveis.Como Selma nunca estudou decidiu seguir a profissão para não passar necessidade, já está nessa profissão há 21 anos e reconhece que o mercado de trabalho é muito difícil para quem não estuda. Ela garante que não teve oportunidade de seguir outra profissão, pois atualmente está solteira e tem como tarefa ser mãe e pai de seus filhos.
Arrastando seu carrinho cheio de sucata, debaixo do sol e dividindo a rua com vários carros, ela afirma que o preconceito é uma constante no seu dia a dia e que a maioria dos motoristas acha que esse trabalhadores estão na rua para atrapalhar o trânsito:
“Os motoristas não respeitam, gritam pedindo para gente tirar a carroça do meio do caminho. Quem gosta da gente?”
A rotina é pesada. Parar para dar entrevista? Nem pensar! Mas se há algo que ela gosta é ouvir música durante o trabalho. Outro ponto positivo? Volta e meia, Selma encontra objetos inusitados no meio do lixo. Celular, anel de ouro e até dinheiro, que se escondem em lugares onde a maioria das pessoas não têm coragem de mexer.
Alegria e humildade são qualidades fáceis de perceber nesta mulher que não reclama do trabalho. É com ele que ela garante o básico para seus filhos. Com ele e com a ajuda da Asmare
(Associação dos Catadores de Papelão e Material Reaproveitável) , entidade que considera “tudo em sua vida”. É lá que ela deixa o material recolhido e leva pra casa, em média, um salário mínimo todos os meses.
A Asmare atualmente possui dois galpões, um localizado na área central e outro na região Oeste da capital, que recebem cerca de 500 toneladas de lixo por mês. Sua equipe de catadores, tal como um pequeno exército, conta hoje com 220 homens e mulheres. Que vivem de garimpar sua sobrevivência naquilo que,para a maioria das pessoas, não tem nenhum valor. Com aquilo que os outros jogam fora, ela faz nascer novos objetos e ajudam, todos os dias, a transformar o lixo em luxo.
Foto: Solange Baker

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